Quando era criança, vi um documentário sobre torcedores italianos violentos. Não lembro nome ou maiores detalhes. Só lembro de uma cena: uma torcida visitante italiana sendo “recepcionada” por rivais. A câmera estava no meio do ônibus, as janelas fechadas e todos os vidros foram quebrados. Depois de alguns instantes de um literal apedrejamento, só se ouvia o barulho das pedras acertando e resvalando pelas cortinas do ônibus. Isto me marcou bastante. Os hooligans não eram somente ingleses…

O futebol italiano tem sido marcado por incidentes violentos ou discriminatórios. Na última temporada, um conflito monumental na cidade de Catania antes de um jogo contra o Messina, causou a paralisação do futebol italiano por 1 semana, jogos com portões fechados por 2 e um contínuo esvaziamento das arquibancadas.

Foi o capítulo final de uma escalada de incidentes violentos em quase todas as rodadas, de Norte a Sul do país. Brigas, gritos racistas contra jogadores negros (inclusive do próprio time!), muitos feridos e alguns mortos foram o saldo de 3 anos de incidentes.

Até hoje os reflexos econômicos são sentidos, os estádios não lotam há muito tempo e as famílias se afastaram dos gramados. Por todo o país, um clamor de ações drásticas do sempre lento Governo Italiano para medidas imediatas, como as tomadas na Inglaterra no início dos anos 90, após o famoso Relatório Taylor

A maior parte das torcidas violentas italianas são relacionadas com grupos de extrema-direita. As mais notórias são Atalanta, de Bérgamo, Hellas Verona, de Verona, a Roma, da capital, mas sobretudo a rival Lazio, também da capital.

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A Lazio, com seus Irriducibili Lazio, é considerado o time mais facista do futebol mundial. O ídolo Paolo Di Canio comemorou um gol fazendo saudação nazista. São comuns bandeiras nazistas e suásticas na torcida da Lazio. Negros como Liverani já foram vaiados pela própria torcida!

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Alguns jogos já foram suspensos e a Lazio foi multada várias vezes e ameaçada de rebaixamento se continuasse com manifestações deste porte. Externamente resolveu, mas internamente seguem muito fortes os grupos de ultra-direita racista, e os Irriducibili Laziali2 não páram de crescer, sob a éfige dos fascistas.

O Hellas Verona e a Atalanta, times do norte da Itália, já tem históricos de abusos raciais e ligações com grupos de extrema-direita. Há alguns anos, jogadores do Livorno entraram em campo em um jogo da Série B com o rosto pintado de negro, em protesto contra cânticos raciais dos torcedores contra seus atletas negros. Conflito entre torcedores do Verona e do Ascoli:

Curiosamente, o Livorno é o oposto. A maior parte de seus torcedores organizados são de extrema-esquerda, igualmente violentos. Depois dos clássicos, os jogos que mais causam transtornos à polícia italiana são visitas do Livorno contra Inter de Milão, Lazio e Roma, justamente por divergências políticas. É mole?

SÉRIE ESPECIAL DO ALMANAQUE ESPORTIVO SOBRE O FASCISMO NO FUTEBOL:

 

– Iugoslávia: Futebol e fascistas: uma relação antiga na Iugoslávia

– Inglaterra: Os ingleses e os grupos fascistas no futebol

– Itália: Ultras: uma tradição italiana de violência