No dia 28 de novembro de 2002, em uma curva da Av. Beira-Mar em Florianópolis, o futebol brasileiro perdeu uma promessa. Já Criciúma e Internacional perderam um herói. Mahicon Librelato, um atacante vindo do Criciúma e que estava há menos de um ano no Colorado, morreu afogado após acidente de trânsito na capital catarinense.

Há cinco anos, mais que uma promessa de inegável talento que seria convocada no mês seguinte para a Seleção Olímpica, os colorados perdiam uma de suas poucas esperanças em um futuro incerto.

Quase rebaixado, escapando por um milagre na última rodada ao bater o Paysandu em Belém, o futuro do Inter era sombrio: só Daniel Carvalho, Chiquinho e Librelato davam alegrias. Porém Chiquinho descobriu ter uma rara doença no cérebro. Então, um novo golpe: a morte de seu jovem ídolo em uma curva do mar catarinense.

Em sua curta carreira, Mahicon Librelato já havia salvado o Criciúma de um inglório rebaixamento para a Série C no ano anterior, 2001, ao marcar o gol do salvamento com ombro deslocado contra o Sergipe. Pretendido por Cruzeiro e Grêmio, foi comprado pelo Internacional após longa negociação. Foi, inclusive, o único jogador comprado naquela temporada horrorosa pelo presidente Fernando Carvalho.

Ao final do jogo contra o Cruzeiro na penúltima rodada, quando o Inter ficou virtualmente rebaixado, a imagem mais marcante era de Librelato, um catarinense que tinha se identificado com o Internacional. Chorando copiosamente assim como milhares de torcedores nas arquibancadas e milhões pelo mundo afora. E que prometeu ficar no Inter até voltar à Primeira Divisão caso fosse rebaixado.

Porém ele mesmo tratou de não cumprir a promessa, pois marcou o primeiro gol da vitória de 2×0 no Mangueirão. Naquela tarde de 17 de novembro de 2002, ele começou a redenção colorada, que deixou Belém e foi até Yokohama. O pesadelo do rebaixamento terminava ali, e ele era um dos responsáveis pelo salvamento. Vejam a reportagem:

E ali ele se despediu de sua maior paixão: a bola.

Aquele gol foi o início de uma escalada colorada que prosseguiria nos anos seguintes: a volta das vitórias em Gre-Nais e a campanha digna no Brasileirão de 2003. O retorno à América na Sul-Americana de 2004 e 2005. O título do Campeonato Brasileiro roubado por Márcio Rezende de Freitas, MSI e Luiz Zveiter em 2005. E as conquistas da América e do Mundo em 2006, além da Recopa e a consequente Tríplice Coroa de 2007.

Depois de sua morte, foi feita uma faixa no estádio Beira-Rio. Fica na goleira do Gigantinho e nela está escrito %22Librelato Eterno%22. Coincidentemente, é a faixa que mais aparece na comemoração de Tinga após marcar o segundo gol da final da Libertadores contra o São Paulo. Ou talvez não seja.

Postado por Alexandre Perin, com saudades do amigo