No dia 11 de dezembro de 1983, o Grêmio conquistou o maior título de sua história. Comandado pelo controverso Valdyr Espinosa (na época Valdir) e com jogadores com um altíssimo quilate, como Mário Sérgio, Paulo César Caju e especialmente Renato Portaluppi, há exatos 24 anos o Tricolor bateu o Hamburgo, da Alemanha, por 2×1 na prorrogação e conquistou o inédito título da Copa Intercontinental.

Dois gols de Renato só coroaram a superioridade gremista, apesar de Schroder ter empatado no final do tempo regulamentar levando para o tempo extra. A conquista, no estádio Nacional de Tóquio, foi muito comemorada pelos azuis, que haviam conquistado sua primeira Libertadores poucos meses antes.

O capitão Hugo de León com a taça, e ao fundo o dirigente Saul Berdichéviski/reprodução: site oficial Grêmio

Bom, vamos ao jogo de Tóquio: em 1983, o Hamburgo havia batido a italiana Juventus na final européia e se sagrado campeão europeu. A Juve tinha atletas do porte do mítico francês Michel Platini, dos campeões mundiais Dino Zoff, Paolo Rossi, Gaetano Scirea, Antonio Cabrini, Claudio Gentile e Rodolfo Bettega e ainda da estrela polonesa Zbigniew Boniek.

Baseado em uma forte marcação, contra-ataque e um time compacto, a equipe alemã (única  que jamais foi rebaixada), chegava credenciada para a partida contra o Grêmio e tinha como destaque o meia Félix Magath. O time era treinado pela lenda austríaca Ernst Happel.

Hamburgo chegou a ficar 36 jogos invicto no Alemão (recorde até hoje), mais deum ano entre janeiro de 82 e janeiro de 83, porém seu título continental foi uma grande zebra, já que só havia superado adversários menores como o alemão oriental Dynamo Berlim, o grego Olympiakos, o espanhol Real Sociedad e ainda o Dínamo Kiev, então pela União Soviética. Na época, o favorito era o inglês Liverpool, mas o time deDalglish, Rush, Souness foi eliminado em uma zebra histórica pelo campeão polonês Widzew Łódź.

Na época comandado pelo que se tornaria o maior dirigente de sua história, o presidente Fábio Koff, o Tricolor se preparou com afinco para a decisão. Após a Libertadores, manteve a espinha dorsal do time gremista e contratou dois jogadores entre os melhores do mundo, do nível de Seleção Brasileira (e numa época de craques como Falcão, Sócrates, Zico e Éder, e não de Afonso, Vágner Love como vemos atualmente).

O ex-colorado Mário Sérgio e o habilidoso meia Paulo César Cajú se somaram ao time que tinha o capitão uruguaio Hugo de León, o lateral Paulo Roberto, o atacanteTarcísio (um baluarte tricolor, jogador que mais defendeu o time da Azenha em todos os tempos e o que mais fez gols pelo Grêmio) e, claro, Renato: o maior jogador doGrêmio em todos os tempos.

O JOGO:

O Hamburgo começou pressionando e criou as primeiras oportunidades. Aos poucos, o Grêmio foi encaixando a marcação e aos 31 minutos, Tarcísio perdeu ótima chance.

Cinco minutos depois, o gol: um lançamento de Caju caiu nos pés de Renato. Este conduziu a bola até a linha de fundo, quando deu um drible espetacular no defensor Schröder e chutou, quase sem ângulo, Grêmio 1×0.

No segundo tempo, o Grêmio começou bem melhor e perdeu várias chances de ampliar, a melhor delas com Renato, que sofreu pênalti claro aos 12 minutos de jogo, falta de Hyeronimous que não foi marcada pelo árbitro francês Michel  Vautrout.

O jogo dali em diante se resumiu a levantamentos para a área gremista, em um delesJakobs quase empatou para o Hamburgo. Já o Grêmio perdeu a chance de matar a partida com Caio, duas vezes parado pelo goleiro Stein. Faltando um minutos o castigo: em uma falta lateral, o zagueiro Schröder recebeu livre e fuzilou Mazaropi, gol do Hamburgo, empate e 1×1.

Porém, em melhor condições físicas e táticas (o Hamburgo, que já havia esgotado as duas substituições regulamentares, tendo levado apenas 14 jogadores para Tóquio). Por ter mais qualidade técnica, o Tricolor sobrou no tempo extra: Aos três minutos, Renato fez novamente jogada individual e driblou Schröder de novo antes de chutar, gol do Grêmio e 2×1. Dois minutos depois, Magath quase empatou para os alemães ocidentais.

Hamburgo, exausto em campo, se limitou a ‘chuveirar’ bolas na área gremista, sem sucesso até o final dos 30 minutos de prorrogação. Vejam os gols na narração de Galvão Bueno:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=t1ddn0XfII8&w=425&h=344]

Fim de papo, Grêmio campeão!

Vejam a retrospectiva oficial no site do Grêmio

Choro, festa no Japão e no Brasil. Milhares de gremistas comemoraram toda a madrugada nas ruas de todo o estado e no retorno dos campeões à Porto Alegre, com direito a caminhão de bombeiros e centenas de homenagens oficiais, ou de singelas lembranças de torcedores.

Vejam imagens da chegada à Porto Alegre:

Postado por Perin, direto do Túnel do Tempo às 15h30

Parabéns Grêmio: hoje é seu dia!
O dia mais importante da maior conquista de sua história centenária!

11 de dezembro, o dia mais azul de todos!

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE:

Sim, sei que vão discutir comigo o porquê de não chamar título de campeão mundial, mas não entrar em polêmica. O torneio entre o campeão europeu e o campeão sul-americano era o título mais importante disputado na época. Ponto indiscutível e inquestionável.

Estou utilizando a nomenclatura utilizada pela FIFA, pelo RSSSF e pela IFFHS, as três mais importantes instituições de documentação do futebol mundial. Os grandes clubes mundiais  como Manchester United, Milan, Juventus, Real Madrid, Boca Juniors, exceto os brasileiros, se referem ao título como “Copa Intercontinental” em seus sites oficiais.

Mais importante: considero um desprezo para com a Copa Intercontinental a deturpação do nome. Não existia nada mais importante que ela até 2004 para ser conquistada por um time, brasileiro ou europeu. Sendo assim, é uma forma de menosprezar a importância da mesma mudar o nome.

Da mesma maneira que considero uma heresia achar que a “Batalha dos Aflitos” seja um jogo mais importante que quaisquer das conquistas tricolores, sejam Copas do Brasil, Campeonatos Brasileirão, Taça Libertadores ou Copa Intercontinental.

O Grêmio é maior que um jogo da Segunda Divisão, quaisquer que seja o contexto.