É curioso o %22reinado%22 de Dunga no comando da Seleção Brasileira. Até agora em quase dois anos de trabalho o capitão do Tetra venceu 17 jogos, empatou seis e perdeu somente duas partidas (Portugal e México).

A despeito de alguns amistosos lamentáveis contra Kuwait e Argélia, o Brasil já enfrentou times de primeira grandeza no futebol mundial. Goleou a arquirrival Argentina duas vezes, incluindo na final da Copa América. Além disto, bateu times que não vencia há muito tempo, como o Uruguai em um jogo de Eliminatórias, a Irlanda semana passada e o próprio México.

Porém… O time não empolga, não se vê uma equipe consistente e unida e existem lacunas técnicas abertas. Além da já ridícula insistência em jogadores medianos ou medíocres, de times médios da Europa e sem nenhum brilho especial (Afonsão, Vágner Love e Fernando são os exemplos clamorosos.

Depois, a insistência em goleiros comuns até Dunga se dar conta que não existe, e inclusive é muito difícil achar em outros lugares, um goleiro tão completo quanto Júlio César, ex-Flamengo e atualmente na poderosa Internazionale.

Taticamente, Dunga comete o mesmo erro de Parreira: o quadrado mágico. Se o time não é mais tão pesado com Adriano e Ronaldo, o quarteto Kaká, Ronaldinho, Robinho e um centroavante não deu certo em nenhum jogo.

Normalmente um deles joga mal (Ronaldinho, em péssima fase, tem sido o pior), o time não encaixa e depende de individualidades. Com laterais jogando muito abertos, o time fica fraco no meio-campo e acaba tirando de Kaká e Ronaldinho suas maiores vantagens técnicas, envolvidos com a marcação e ficando longe da linha do gol 

Dunga precisa, além de acabar com invencionismo, tomar decisões simples mas necessárias:

– Deixar Luís Fabiano (e depois Alexandre Pato) como centroavante titular.

– Ter peito de barrar Ronaldinho do time.

– Escalar um terceiro de meio-campo que marque e saiba sair jogando, casos de Anderson ou mesmo Daniel Alves, que sabe jogar ali.

– Dar oportunidades para Rafinha na lateral-direita e uma sequência para Marcelo na lateral-esquerda.

– Definitivamente começar o processo de renovação entre nossos volantes, desistindo de Mineiro e Gilberto Silva, veteranos que devem dar espaço para a %22Class of 2006%22: Lucas, Denílson e Hernanes.

– Buscar soluções técnicas para o time. Grandes coisas ganhar da Irlanda, não testou novos jogadores e não deu experiência para nenhum jogador %22olímpico%22.

O time que eu escalaria hoje?

Júlio César; Maicon/Rafinha, Lúcio, Juan e Marcelo; Hernanes, Denílson/Lucas, Anderson e Kaká; Robinho e Luís Fabiano.

Reservas: Doni, Rafinha/Maicon, Alex, Breno e Gilberto; Josué, Lucas/Denílson, Júlio Baptista e Diego; Ronaldinho e Alexandre Pato.

Postado por Alexandre Perin