Quem vê hoje a globalizada NBA pode não ter estimativa do impacto que ela teve no Brasil do início dos anos 90. Era umaa vez a NBA dos tempos dourados, de Jordan, Johnson, Bird, Barkley, Ewing, Petrovic & Cia ilimitada.

Quando era criança, só uma coisa eu gostava mais que ver a NBA: corridas de Fórmula-1. Afinal, em tempos de baixa no futebol brasileiro, um adolescente criado em uma cidade com times fracos (morava em Juiz de Fora-MG e não tinha muitas perspectivas com o Tupi…), seguia a moda do momento.

Bonés de times de basquete eram moda entre nós e cada um tinha seu time. Eram muito populares os jogos de videogame Lakers vs. Celtics e Bulls vs. Lakers, representando as finais da NBA de 87 e 91.

Como era de se imaginar, a maioria da molecada era Chicago Bulls, do inigualável Michael “Air” Jordan. Eu era.. New York Knicks! Era tão mais fácil torcer para o time que estava ganhando, e é claro que eu tinha que complicar.

Meu irmão Daniel Perin era Bulls, e nossos melhores amigos torciam para o Knicks (André Carvalho Felício) e Bulls (Diogo Carvalho Felício). Ou seja, os irmãos mais velhos torciam para o time azarão e os mais novos para o favorito. Dois momentos marcaram esta época: os play-offs finais de conferência em 1993 e as finais daquele mesmo ano.

Em 1993, no auge da popularidade da NBA, os Knicks pegaram os Bulls na final da Conferência Leste. De um lado, MJ, Scottie Pippen, John Paxson e Horace Grant. Do outro, Pat Ewing, John Starks, Mark Jackson e Anthony Mason. Os Knicks ganharam os dois primeiros jogos em Nova Iorque e se criou um clima de oba-oba. Enfurecido, Jordan comandou seu time em uma histórica reação. Os Bulls ganharam os dois jogos seguintes de lavada, com direito a recordes 54 pontos de Jordan no jogo 4:

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Então, o quinto jogo, a série empatada 2-2. No Madison Square Garden milhares torcendo pelo time de Nova Iorque. Na TV, milhões. E em Juiz de Fora o quarteto: eu e André, Dani e Diogo aos berros e xingamentos.

Em um jogo fabuloso (tem ele inteiro no You Tube), os Knicks perderam por 3 pontos. Ou melhor, Jordan ganhou o jogo. E isto que o time da casa errou arremesso, rebote e rebote quando perdia por 1 ponto e faltando 10 segundos. Inacreditável…Vejam:

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Depois, o Bulls acabou ganhando fácil o jogo seguinte, fechando a série por 4-2 e garantindo-se na final pelo terceiro ano seguido, buscando o tricampeonato:

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Na final, outro timaço chamado Phoenix Suns, do maluco genial Charles Barkley, dos ótimos Kevin Johnson e Dan Marjele. (EDITADO: obrigado Marcos pela correção) – Em Phoenix, os Bulls ganharam fácil o 1° jogo, apertado o 2°, com Jordan em uma média superior a 40 pontos por jogo.

Os Suns venceram o terceiro jogo fora de casa, mesmo com 44 pontos de Jordan. Aí no quarto jogo, sua majestade “Air” Jordan chutou o balde: 55 pontos e uma surra em plena Phoenix Arena, 3-1 para o Bulls. Confiram os melhores momentos:

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Então, quando tudo parecia encerrado, outra vitória do Suns em Chicago e a decisão ficou 3-2.

No sexto jogo, depois de jogar fora uma larga vantagem, o Bulls perdia por 98 a 96. A iminência de um sétimo jogo, fora de casa, era apavorante para o time de Chicago.

Aí, faltando 3.9 segundos, o reserva Paxson acerta uma cesta de três e vira para o time da casa, comandado pelo excepcional técnico Phill Jackson. Então, o titular Horace Grant, em péssima fase (fez um ponto no 5° jogo e repetiu a dose naquele dia) acabou com o jogo ao conseguir um toco fenomenal em cima de uma bandeja de Kevin Johnson, garantindo a vitória e o tricampeonato para os Bulls.
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Mas este seria apenas mais um passo na história quase mitológica de Michael Jordan.

Outro capítulo estrondoso seria escrito em 1998 contra o Utah em Salt Lake City