Depois de uma primeira fase bacana, vieram os jogos eliminatórios da Eurocopa 2000. Nas quartas-de-final da Eurocopa 2000, nada muito dramático: a Itália superou a Romênia, Portugueses mataram a Turquia enquanto a Holanda enfiava 6×1 na Iugoslávia com quatro gols de Patrick Kluivert.

O jogo mais emocionante foi quando a França eliminou a Espanha por 2×1. No final da partida, Raúl errou uma penalidade e definiu mais um fracasso espanhol. As semis seriam bem diferentes, com dois jogaços decididos na morte súbita e nos pênaltis.

Portugal começou bem e saiu na frente com Nuno Gomes aos 19 minutos. Em seu pior jogo na competição, os franceses não conseguiam atacar e tiveram chances esporádicas. Depois do intervalo, o time treinado por Roger Lemerre voltou melhor e empatou com Thierry Henry, 1×1 aos seis minutos.

Em um jogo eletrizante, ambos os times alternaram chances perdidas até o final do tempo normal e também na prorrogação. No finalzinho do segundo tempo da morte súbita, Abel Xavier cometeu pênalti que o juiz não viu, mas o assistente percebeu. Nuno Gomes foi expulso por reclamação, Abel Xavier empurrou o juiz, Figo jogou a camisa no chão na frente do juiz, mas Zidane não quis saber: bateu e classificou a França para a decisão. Portugal, repetindo 1966 e igualando 2006, caiu nas semifinais.

A outra partida seria a repetição do `Maracanazo` de 1950, versão laranja. Em Roterdã, a Holanda jogou 90 minutos com um jogador a mais, perdeu dois pênaltis no tempo normal e mais três na disputa de pênaltis, e foi eliminada em casa pela Itália. Depois de Bergkamp acertar a trave italiana, Zambrotta foi expulso aos 34 minutos, mas três minutos depois Frank de Boer cobrou muito mal penalidade duvidosa sobre Kluivert, e Francesco Toldo defendeu.

No segundo tempo, a história se repetiu: aos 19 minutos, Patrick Kluivert chutou na trave outro pênalti, desta vez indiscutível sobre Davids. Depois de massacrar os italianos, sem acertar o gol nos minutos finais e na prorrogação. Os italianos também tiveram uma chance clara, mas Edwin van der Sar salvou chute de Marco Delvecchio no segundo tempo da prorrogação e o jogo foi para os pênaltis.

E aí, imitando os ingleses que caíram em casa nas semifinais em uma disputa de pênaltis na Eurocopa anterior, Frank de Boer (de novo), Jaap Stam e Paul Bosvelt perderam seus pênaltis (com mais duas defesas de Toldo). A Itália estava na final e o time treinado por Frank Rijkaard e o mar laranja de torcedores entrava em desespero por mais uma chance de título desperdiçada.

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A decisão foi tão boa quanto as semifinais. Italianos e franceses fizeram um jogaço em Roterdã, com a França tendo mais ações enquanto a Itália sofria na defesa e especulava contra-ataques. Foi assim que Albertini e Delvecchio perderam chances, enquanto Henry acertava o poste de Toldo. Entre o final do primeiro tempo e o início do segundo, a França perdeu três gols feitos e pagou caro por isto: aos dez minutos, depois de um espetacular passe de Francesco Totti de calcanhar, Marco Delvecchio fez 1×0 para a Itália.

E aí voltamos ao mais clássico futebol italiano, o secular “catenaccio”: a França atacava e atacava, enquanto a Itália se defendia e saía no contra-ataque. Em dois deles, o astro da Juventus Alessandro Del Piero perdeu dois gols feitos. Ainda irritado por 1998 e com sangue italiano nas veias, eu entrei em desespero e amaldiçoei o atacante bianconero pelo resto da vida. Na época, Del Piero só havia feito 2 gols de bola rolando em quase 30 meses, e tinha fracassado na Copa de 1998.

E eu xinguei ele mais ainda quando Silvain Wiltord, aos 48min50′ do segundo tempo, aproveitou erro italiano e empatou o jogo, 1×1. Na prorrogação, contra um time cansado, Robert Pires cruzou e David Trezeguet, de voleio, garantiu o título continental.

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Pela primeira vez na história, um time era campeão do mundo e campeão europeu em sequência.

La Marseillaise” ecoava novamente nos gramados do planeta.

França, bicampeã da Europa!