Ontem, no dia 27 de junho, completaram-se nove anos da maior façanha de um clube do Interior do RS: o título invicto do Juventude na Copa do Brasil de 1999. Assim se encerra a série sobre as grandes façanhas do futebol gaúcho, que começou com o terceiro lugar do Brasil de Pelotas na Série A de 1985, e o título gaúcho do Caxias de Tite em 2000.

O título do Juventude, pode-se dizer, começou em 1993. Naquele ano, a multinacional italiana Parmalat passou a investir no time de Caxias do Sul, clube mais antigo do Brasil de origem italiana. Dois anos depois, o Juventude já estava na Primeira Divisão do Brasileiro. Com o passar dos anos, a empresa passou a investir cada vez menos no clube (e também no Palmeiras, principal clube da multinacional).

Porém o Juventude aproveitou estes anos para crescer sua estrutura como clube, manter-se na Série A e aumentar o patrimônio: fez um Centro de Treinamento, reformou o estádio Alfredo Jaconi, formou jogadores e aumentou o número de sócios. No período entre 1995 e 2007, quando o alviverde permaneceu na Primeira Divisão, o Juventude ficou entre os 10 primeiros em: 1997 (5°), 2002 (7°) e 2004 (7°).

Em 1998, o “Papo” foi o primeiro campeão gaúcho do interior em mais de 50 anos. Na decisão, o Juventude superou o atual campeão Internacional, erguendo a taça em pleno Beira-Rio. Naquele ano já existia uma rivalidade com o Colorado. Dois anos antes, o Inter havia sido eliminado do Gauchão pelo time de Caxias, e no ano seguinte, acabou com 14 jogos de invencibilidade colorada ao vencer no Beira-Rio por 1×0, pelo Brasileiro. Mas nada parecido com o que veríamos em 1999.

Assim, como um clube estruturado dentro e fora de campo, o Juventude começou bem a Copa do Brasil de 1999, enfiando 5×1 no Guará-DF fora de casa, encerrando a disputa. O treinador? Walmir Louruz, que havia levado o Brasil de Pelotas ao 3° lugar em 1985. Sinal de bons fluídos?

Pode ser, pois na segunda fase, levou 3×1 do Fluminense (então na Série C do Brasileiro) no Maracanã. Mas no jogo de volta, precisando vencer por dois gols de diferença, enfiou históricos 6×0. Três gols do volante e capitão Flávio, dois de Mabília e outro de Capone arrasaram o time carioca, classificando para as oitavas-de-final.

Então um jogo dificílimo, contra o atual campeão brasileiro Corinthians (que seria bicampeão no final daquela temporada). A vitória veio com gols do zagueiro Capone e de Márcio Mixirica. No jogo de volta, o Juventude já era a sensação da Copa do Brasil ao bater o Corinthians no Pacaembu por 1×0, gol de Márcio Mixirica. Então, o rival das quartas-de-final foi o Bahia. O time nordestino vinha com sentimento de vingança, afinal foi em um empate de 0x0 em 1997 que o Bahia havia sido rebaixado naquele Brasileirão, em plena Fonte Nova.

Foi o único jogo que o Juventude não conseguiu bom resultado no Alfredo Jaconi. Levou 1×0, gol de Uéslei, empatou e virou com gols de Mabília e do veterano Mário Tilico. Mas o meia-atacante Uéslei empatou de novo, deixando o placar final em 2×2.

Em uma Fonte Nova entupida de gente, o Ju fez o inverso da primeira partida: saiu na frente com um gol de Capone, levou a virada com gols de Uéslei e Vinícius, e arrancou um empate no segundo tempo através de Mário Tilico, o reserva mais importante do time naquela competição, 2×2. Nos pênaltis, o goleiro alviverde Émerson acaba com o sonho baiano. O Juventude era semifinalista da Copa do Brasil!

E quem seria o adversário? Um Internacional motivado pelos sonhos delirantes do presidente Paulo Amoretty, que havia contratado o capitão do tetracampeonato mundial Dunga por um valor absurdo, mais Gonçalves e Elivélton, além de manter as estrelas Christian, Fabiano e André. Em uma noite chuvosa e muito fria, contra um adversário esfacelado pelos desfalques (quatro titulares não jogaram), o Juventude não aproveitou as chances. Ficou no 0x0 em Caxias e teve sorte nos minutos finais, quando Marcelo e Fabiano perderam gols feitos.

No segundo jogo, embalado por 30 mil sócios e 80 mil vozes no Beira-Rio, ninguém imaginava outro resultado a não ser a vitória do Internacional. No primeiro tempo, o capitão Flávio sentiu lesão e teve que sair antes de 10 minutos. um gol incrível perdido pelo colorado Almir selaria os destinos daquele jogo. Aos 47 minutos do primeiro tempo, o lateral-direito Marcos Teixeira desferiu um chutaço, 1×0 Juventude. Incrédulos, os Colorados viam um time que se defendia com talento e organização suportar tranquilamente a afobada pressão colorada.

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O segundo tempo mal começou e o time de Caxias deu o golpe de misericórdia quando Márcio Mixirica aproveitou escanteio e ampliou, 2×0. Desesperado e precisando fazer três gols, o Internacional se tornou presa fácil e levou mais dois gols de Mabília e Capone. Mabília ainda perdeu uma penalidade, mas o destino daquele confronto estava selado: Juventude classificado para a decisão com um antológico 4×0 em pleno Beira-Rio.

Justiça com o melhor ataque da competição, e que havia eliminado dois dos principais favoritos do torneio, o Corinthians e o Internacional.

E, daquele dia em diante, a sina de sempre complicar contra o Colorado era, de uma vez por todas, uma “touca”. Revoltados, os torcedores promoveram vários tumultos durante e depois do jogo, e diversas partes do Beira-Rio foram depredadas.


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Mas isto em nada tinha a ver com o Juventude. Pela primeira vez na história, o time estava na final de uma competição nacional… Mas isto é assunto para mais tarde…

AS MAIORES FAÇANHAS DO FUTEBOL DO INTERIOR GAÚCHO