Nadal e Federer, no maior jogo de todos os tempos

Quem assistiu ontem a final do torneio de Wimbledon viu um jogo que entrará na história. Depois de 4h48min e 66 games (recordes na história de finais masculinas em Wimbledon), o espanhol Rafael Nadal fez o que parecia ser quase impossível: destronar o suíço Roger Federer em uma quadra de grama. O placar de 6/4, 6/4, 6/7(5/7), 6/7 (8/10) e 9/7 diz muito sobre como foi o jogo, com dois sets decididos no “tie-breaker” e repleto de alternativas.

E assim acabou uma invencibilidade de 65 jogos no templo do tênis mundial para um dos maiores tenistas de todos os tempos. A partida de ontem, interrompida duas vezes por causa da chuva, tem tudo para ser lembrada por décadas. Os mais de 13 mil espectadores presentes ao All England Club, viram jogadas excepcionais de dois tenistas no auge da forma física e técnica. Maravilhados, viram Nadal abrir dois sets de vantagem, Federer se recuperar nos dois sets seguintes. No set decisivo, Nadal superou o próprio nervosismo e bateu Federer em 9 a 7.

Vice-campeão do torneio nos últimos dois anos, Nadal impediu um inédito hexacampeonato de Federer, número 1 do ranking da ATP desde 2004. De quebra, diminuiu a diferença entre ambos e manteve a supremacia em decisões: são 10 vitórias do espanhol em 14 finais.

A derrota foi particularmente dolorosa para Federer, que já havia sido derrotado em 2008 no saibro de Roland Garros (a especialidade de Nadal). Ele aliás é o primeiro, desde o sueco Bjorn Borg em 1980, a conquistar Roland Garros e Wimbledon no mesmo ano. Fato especialmente singular devido às características diametralmente opostas do saibro lento francês para a rápida grama inglesa.

O SPORTV tem uma série de documentários especiais, que sempre vai ao ar no final de ano, chamada “Jogos para Sempre“. Nela, jogos épicos de futebol envolvendo times ou seleções são “escarafunchados” em detalhes. Se isto for feito para o tênis, temos mais um jogo para jamais esquecer.

O duelo está sendo comparado com a mítica final de Wimbledon em 1980, do sueco Bjorn Borg contra o polêmico norte-americano John McEnroe, vencida pelo primeiro que então conquistava o pentacampeonato. No ano seguinte, McEnroe deu o troco, acabando com a invencibilidade de 5 anos de Borg em Londres e impedindo o hexa do sueco.

O inesquecível jogo, em uma época que o também norte-americano Jimmy Connors era um dos principais tenistas, ficou marcado também pelo 4º set. Chamado de “o maior tie-breaker” de todos os tempos, este set foi vencido por McEnroe por 19 a 17. Um compacto do jogo, com sete match points salvos por McEnroe antes da vitória de Borg: