A ginasta soviética/uzbeque/alemã Oksana Chusovitina é uma das mais especiais atletas destes Jogos Olímpicos de Pequim, que se encerraram ontem na China.  Aos 33 anos, a mais velha ginasta de alto nível em atividade conquistou a medalha de prata individual no salto sobre o cavalo. Ela tem dez medalhas em campeonatos mundiais de Ginástica, detendo o recorde de ter oito em um só aparelho: o salto sobre o cavalo.

Oksana e seu filho

Oksana e seu filho

Mais do que isto, Chusovitina foi a primeira ginasta feminina adisputar cinco Olimpíadas. Ela se tornou ainda a terceira ginasta a voltar a disputar uma Olimpíada depois de se tornar mãe. E foi com esta história que ela conquistou mais uma vez resultados brilhantes, e a simpatia de todos que torceram por ela nos Jogos de Pequim.

Era uma vez uma tímida garota de 13 anos que virou ginasta da equipe principal da extinta União Soviética. Medalhista de ouro por equipes pela C.E.I. (Comunidade dos Estados Independentes, que reuniu 11 das 16 repúblicas soviéticas) nos Jogos de Barcelona, em 1992.

Valeri Lukin, ginasta campeão olímpico pela União Soviética e pai da campeã individual em Pequim Natasja Lukin, disse que Oksana fazia exercícios mais difíceis que os feitos pelo time masculino na mesma época.

Feitos que em nada diminuíram a força de vontade da atleta que voltou ao Uzbequistão e disputou por seu país, uma das antigas repúblicas soviéticas, todas as competições e Jogos Olímpicos entre 1993 e 2002.

Com dificuldades, sem apoio governamental pela pobre república da Ásia Central, Oksana seguiu atuando em nível elevado, se classificando para três Olimpiadas consecutivas: 1996, 2000 e 2004.

Porém nada disto importaria. O fato é que, além de ser uma monumental atleta de alto nível na ginástica internacional, Chusovitina é uma lenda na ginástica, no esporte e na vida pelo simples fato de ser mãe. E de ter feito sacrifícios para manter o filho vivo.

Praticamente aposentada, a atleta teve que voltar aos treinamentos duros em 2002 aos 27 anos, quando seu filho Alisher teve diagnosticado leucemia aos dois anos de idade. Sem condições de tratamento adequado em Tashkent e com remédios caríssimos em Moscou, na Rússia, Chusovitina aceitou se transferir para a Alemanha para um tratamento mais adequado para Alisher. “Se eu não voltasse a competir, ele não sobreviveria. Simples assim, não tinha escolha”, disse certa vez Oksana.

O drama do menino comoveu a comunidade internacional de ginástica, e muito dinheiro foi arrecadado em doações por todo o planeta, totalizando os 120 mil dólares necessários.

De 2003 a 2005 ela continuou disputando competições oficiais (incluindo dois mundiais e os Jogos de Atenas) pelo Uzbequistão, mas em 2006 passou a defender as cores da Alemanha.

A cidadania foi necessária para que a atleta continuasse recebendo tratamento especial na Alemanha, de acompanhamento oncológico para a doença de seu filho. Oksana recebeu cidadania alemã, mas viaja seguidamente para o amado Uzbequistão.

Aos 33 anos, uma idade absurda para uma ginasta (que normalmente são consideradas “velhas” aos 22, 23 anos), Oksana é uma lenda para suas pretensas adversárias, que acabam por idolatrar a ginasta. A maioria delas sequer era nascida quando Oksana já tinha um ouro olímpico.

“Eu tenho 20 anos, tenho dores nas costas, nos joelhos e acho que tenho atrite. Eu não sei como ela consegue, é um modelo para nós todas”, disse Alicia Sacramore, da equipe dos Estados Unidos.

Para delírio do público em Pequim, Oksana Chusovitina conquistou a medalha de prata no salto sobre o cavalo, superando inclusive a brasileira Jade Barbosa, uma das favoritas na competição. Ela ficou atrás somente da sul-coreana

Em Jogos Olímpicos: 1 medalha de ouro por equipes em 1992 (C.E.I.) e outra de prata pela Alemanha no salto sobre o cavalo em 2008.

Em Mundiais de Ginástica: três de ouro, duas de prata e quatro de bronze (pela União Soviética, Uzbequistão e Alemanha).

O garoto suportou duramente os dois anos de tratamento, com um transplante de medula e sessões de quimioterapia. Hoje ele tem oito anos e vive uma vida saudável, enquanto Oksana, já com cidadania alemã, segue competindo pelo novo país.

Com vocês, Oksana Chusovitina quinze anos depois, nos Jogos Olímpicos de Beijing em 2008:

Parabéns, Oksana! Exemplo de atleta, mãe e ser humano!