Navarro Montoya brigou com dirigente e iniciou greve no Uruguai

O veterano goleiro colombiano Navarro Montoya, por quase uma década arqueiro titular do Boca Juniors, iniciou verdadeira revolução no Campeonato Uruguaio ao dar um soco em um dirigente. Tudo começou no início da semana, quando ao indagar o presidente do modestíssimo Tacuarembó, do interior do Uruguai, sobre os muitos meses de salários e prêmios atrasados, o goleiro de 43 anos recebeu xingamentos e críticas de Daniel Albernaz, dirigente máximo do time que está em antepenúltimo lugar no Clausura 2009.

Revoltado, Montoya deu um soco no rosto do presidente e foi imediatamente colocado para treinar em separado. Irritados com a diretoria e a favor de seu capitão e mais famoso jogador, todos os demais atletas do Tacuarembó entraram em greve em solidariedade a Navarro Montoya.

O presidente da AUF (Associação Uruguaia de Futebol) tentou intervir e enviou um delegado para diminuir a confusão, mas os jogadores estão irredutíveis. O jogo contra o Montevideo Wanderers estava marcado para sábado, foi adiado em um dia. Baltasar Silva, outro líder do grupo, disse ontem: “El Mono”, como capitão, falou por todo o time, e não aceitamos que ele fique em separado. O time não treinou, jogadores estão abaixo do peso e a situação está muito complicada dentro do clube.

Depois de muitas negociações, os atletas resolveram jogar neste domingo desde que o presidente Albernaz renunciasse, como compensação à saída de Montoya. O goleiro Montoya aceitou a rescisão de contrato, e fez sua parte no acordo. Porém Albernaz mudou de idéia e ficou no cargo, gerando um impasse. Revoltada, a torcida está do lado dos atletas e fez ontem uma grande manifestação na sede do clube pedindo a saída do `ditador` Albernaz.

Com 25 anos de trajetória profissional, está claro que não vim para Tacuarembó por motivos econômicos. Mas os companheiros mais jovens estão me dando uma lição de vida com a atitude ética e muito solidária que vêm demonstrando!, disse Montoya ao “El País“, principal jornal do Uruguai. Os dirigentes estão com respaldo da AUF, enquanto os atletas estão sendo defendidos pelo sindicato dos jogadores profissionais.

O Tacuarembó, clube de cidade a 450 km de Montevidéu, jogará com um time de juvenis nesta tarde para evitar o W.O., que custaria pesada sanção desportiva ao clube. Recentemente o Central Española fez greve, e até mesmo o multicampeão Peñarol vive profunda crise econômica.

Postado por direto da Redação da Central Perin de Notícias