Muricy Ramalho: o fim de um ciclo após três anos e meio/Agência EFE

O assunto da semana foi a queda de Muricy Ramalho no São Paulo. “Desgaste dos Metais” e esgotamento tático do São Paulo? Boicote interno? Fim de um ciclo? Na verdade, tudo se aplica na saída do técnico tricampeão brasileiro. A derrota para o Cruzeiro na última quinta-feira e a eliminação da Libertadores, da maneira como foi, seria um motivo forte. Mas existem mais.

Foi a primeira vez em seis anos, desde a demissão de Oswaldo de Oliveira em 2002, que a diretoria do São Paulo demitiu um treinador. Todos os demais, como Cuca, Émerson Leão e Paulo Autuori, foram para o exterior em propostas financeiramente vantajosas.

O São Paulo tem atrasado direitos de imagem. Os jogadores, sobretudo os de ataque como Washington, reclamaram escandalosamente na imprensa de substituições e não foram multados. Talvez até pelo rabo preso da diretoria envolvendo os direitos de imagem.

Porém o fato é que Muricy parece ter perdido o pulso no vestiário do Morumbi. Para completar, a péssima fase de Jorge Wágner, Hernanes e de Washington, grande contratação da temporada, completam o ciclo de problemas com os atletas.

Os reforços de 2009: Eduardo Costa, Renato Silva, Wagner Diniz, Junior Cesar, Arouca, Washington, Denis, Marlos e Jean Rolt. Apenas o jovem goleiro Dênis pode ser considerado um sucesso, já que veio para ser o segundo reserva e virou titular com as lesões simultâneas de Rogério Ceni e Bosco. Marlos e Jean chegaram agora, Washington e Arouca decepcionaram bastante e os outros não mostraram estar no nível Tricolor.

Para completar o esquema tático. Isto já foi brilhantemente analisado pelo Eduardo Cecconi no Preleção, mas vou apenas pontuar algumas questões adicionais… Muricy, como nos tempos de Internacional, jamais abriu mão do 3-5-2 mesmo quando não tinha jogadores para o esquema. Improvisou volantes e meias na zaga e nas alas, sempre mantendo os três defensores. Nunca mais teve um Danilo como armador de talento, e para completar perdeu o avanço de Hernanes e Jean, destaques dos últimos dois anos.

Já no Brasileiro de 2008 o São Paulo começou a decair. Esteve 11 pontos atrás do Grêmio e só conquistou o título graças a muitas vitórias apertadas jogando um futebol eficiente, mas no limite mínimo de qualidade. Se não fossem tropeços inexplicáveis do time gaúcho, não teria conquistado o hexacampeonato.

E agora? Bem, de antemão informo que não considero Ricardo Gomes um treinador de primeira linha. Não tem comando no elenco, inventa demais e não tem títulos de relevância na carreira de treinador, exceto sucessos pontuais na França.

Muricy se foi. A vida segue.
Mas o São Paulo não conquistará o hepta em 2009 nem em sonho.

Postado por Perin, informando que o SPFC encerrou o ciclo.