Ontem resgatei o fracasso do Inter-B no Gauchão 2007. Campeão mundial, o Colorado sequer passou da primeira fase devido a um péssimo planejamento, erros de avaliação, projeto, pacote completo. Tudo que tinha direito. Hoje analisaremos os pontos errados e o que pode/deve ser feito para não repetir os equívocos. 

Curiosamente, um jogador de 2007 ainda está no Inter-B: o capitão Josimar, que depois de vários empréstimos, hoje parece maduro. Talvez ele e o meia-atacante Ytalo, grande destaque do time na temporada 2009, possam subir para o grupo principal ao longo da próxima temporada, assim como o atacante Léo, que sofreu com muitas lesões neste ano.

Para não repetir isto neste ano, o Inter terá que mudar várias questões e todas me parecem bem encaminhadas:

1°) Definição de estratégia. O projeto atual é bem claro, com jovens atletas com potencial, custo baixo e que podem ser aproveitados no elenco principal. No passado o Inter-B era formado por uma maioria absoluta de reservas afastados, jogadores sem ritmo ou juniores com idade estourada. Várias promessas como Ytalo, Wágner Silva, Léo, Leandro Damião, Lima, etc…

2°) Retorno antecipado das férias. O Inter B volta em 11 dias para fazer uma longa pré-temporada para iniciar o Gauchão . Pode parecer óbvio, mas inacreditavelmente em 2007 o Inter NÃO fez isto. A pré-temporada dos reservas foi tão curta quanto as dos titulares (e eles NÃO foram pro Japão disputar o Mundial) e o resultado foi o já citado

3°) O treinador. Osmar Loss tem longa experiência com gurizada e consegue transmitir serenidade, além de ótimo conhecimento tático. Lisca é muito instável e isto atrapalha em um projeto de médio prazo. 

4º) Esquema tático. Lisca ainda mexeu demais no time. Jogou com 3 zagueiros, 3 volantes e 1 meia fora de casa contra o Santa Cruz. Mudou esquema de jogo e escalação diversas vezes em poucos jogos, uma gororoba tática total. Nem um pseudo-entrosamento seria possível.   Em 2009, Osmar Loss jogou no 4-4-2 durante quase todo o ano e deve manter esta formação.

5°) Escalar titulares fora do planejado. O Inter, em hipótese alguma, pode mudar os planos em virtude de maus resultados do Inter-B. Os titulares tem que estrear na data prevista, jogar os jogos previstos para ganhar ritmo de jogo. Nada de cometer o erro de 2007, quando o time titular inteiro foi chamado às pressas para jogos complicados e desgaste desnecessário. Por exemplo, jogou contra o Novo Hamburgo fora de casa, virando nos acréscimos em um jogo com 40°C de temperatura. Três dias depois, levava 3×0 do Vélez Sarsfield em Buenos Aires.

6°) Não pecar pelo excesso. Contraditoriamente ao ponto anterior, o time titular do Inter não pode passar de uma semana sem jogar entre as partidas da Libertadores. Este foi um erro grosseiro do Grêmio em 2009, que jogou contra o São Luiz numa segunda em casa com os titulares e aí levou 4×0 do Caxias com os reservas na quinta, custando um Gre-Nal logo na 2° fase e posterior eliminação na Taça Fábio Koff. O jogo pela Libertadores era só na metade da semana seguinte. 

Se seguir esta linha, acredito que a utilização do Inter-B (que jogará inclusive o 1º Gre-Nal do ano) será um sucesso. Em caso contrário, o atual bicampeão estadual terá sérios problemas na competição que se inicia em janeiro e vai até maio.