Dois fatos inevitáveis acabaram ocorrendo nesta sexta-feira, envolvendo clubes endividados no futebol inglês: o Portsmouth (da 1º divisão) e o Chester City (da 5º). O Portsmouth, outrora “novo-rico” do Campeonato Inglês, entrou em estado de administração (insolvência) e será gerido por uma equipe de administradores. O clube deve milhões de libras a jogadores, outras equipes e impostos ao governo britânico e está há meses em dificuldades financeiras. Já o Chester City, depois de uma década endividado e em declínio futebolístico, simplesmente foi expulso da Liga por quebra dos regulamentos financeiros da entidade.

O Portsmouth é um time do sul do país, que tem uma ótima média de público e uma grande torcida local. Esta está evidentemente revoltada com a situação que ronda o clube há mais ou menos 18 meses. É o segundo clube popular a entrar em estado de administração, precedido pelo gigante Leeds United em 2007. As dívidas superam 70 milhões de libras e a maioria é composta de títulos vencidos ou de curto prazo.

Em 1998/99 o “Pompey“, como é carinhosamente chamado por sua fiel torcida, estava muito mal financeiramente. Foi reeestruturado e viveu a melhor década de sua história. Mas sucessivas compras do controle do clube sem investimentos, e gastos exagerados em atletas de qualidade discutível, deixaram o clube descapitalizado, próximo da liquidação.

Notícia da entrada em administração no site britânico Bloomberg:

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O croata Milan Mandaric comprou o clube em 1999 e recapitalizou o mesmo, levando o time à elite da Primeira Divisão em 2003 com investimentos pesados. O egípcio Alexandre Gaydamak, que chegou a ser sócio de Mandaric, comprou o clube em 2006. Em 2008, venceu a Copa da Inglaterra e foi bem na Copa da UEFA, inclusive disputando um jogo histórico com o Milan na competição (empate em 2×2 no Fratton Park, valeu Expe!).

Gaydamak vendeu em junho de 2009 o comando do clube para Sulaiman Al-Fahim, de Dubai. Menos de 40 dias depois, este vendeu para o saudita Ali Al-Faraj, que por sua vez perdeu o comando do clube para seu credor,o nepalês baseado em Hong-Kong Balram Chainrai.

Ou seja, quatro donos em uma só temporada e nenhum deles investiu o suficiente, exceto o último. Só podia dar porcaria. Como deu.  Cainrai investiu mais de 17 milhões de libras nos poucos meses que comandou o clube, mas isto foi insuficiente para resolver as maiores dívidas.

A intenção dele era vender o clube e recuperar o investimento, mas não foi possível. Ele procurou diversos compradores, sem sucesso. Como resultado, o tribunal inglês de falências e concordatas apontou o administrador Andrew Andronikou, especializado em insolvências e falências, que terá como missão reorganizar as finanças de maneira a pagar os débitos do clube antes de achar um novo comprador.

Os planos imediatos são a venda em massa de atletas e a reorganização do pagamento dos débitos mais urgentes (como dívidas com clubes e taxas de impostos). Como penalidade esportiva, o Portsmouth perde nove pontos. O clube, já lanterna na temporada 2009/10, está virtualmente rebaixado para a Segunda Divisão, o que diminuirá ainda mais as receitas. Em algumas semanas, o atual diretor-executivo Peter Storrie deixará o clube, e alguns contratos de atletas serão imediatamente rescindidos.

Vejam grandes momentos do clube na história:

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Já a situação do minúsculo Chester City é ainda pior. O clube, da quinta divisão (a Football Conference), entrou em estado de administração em julho e perdeu administrativamente 25 pontos. O clube, que já havia entrado em administração no ano retrasado, pediu o adiamento das primeiras rodadas por não ter jogadores aptos a serem escalados. Não pagou as taxas de policiamento e os atletas já ameaçaram duas vezes greve por falta de pagamento dos salários.

Como resultado, após reunião realizada hoje na sede da Football Conference (associação que reúne os clubes semi-amadores do futebol inglês), o Chester City foi expulso da Liga, com seus resultados foram anulados e a competição será disputada com uma equipe a menos. Para retornar aos gramados, a equipe terá que entrar no final da pirâmide futebolística da Inglaterra, em divisões inferiores amadoras.

Os atuais donos do clube colocaram o mesmo à venda por uma libra, mas um consórcio formado na internet e com origem dinamarquesa não completou a transferência. Os torcedores do clube pressionaram os possíveis compradores a mostrar suas intenções e planos, sem sucesso. Da mesma maneira que no Portsmouth, a torcida tem ameaçado os donos do clube e feito muitas críticas na imprensa local.

Por causa de fatos como estes, o porta-voz Malcolm Clarke, presidente da Associação de Torcedores de Futebol, exige mais controle das autoridades britânicas sobre as capacidades financeiras dos donos de clube, já que outros novos-donos como Malcolm Glazer (Manchester United), George Gillett e Tom Hicks (Liverpool), deixaram seus clubes em situação financeira delicada.