Cruzeiro e Internacional estão bastante insatisfeitos com a TRAFFIC, empresa que investe no esporte há mais de 30 anos e comandada por J. Hawila. É uma das maiores companhias de marketing esportivo do mundo, e hoje cerca de 49% dos seus direitos acionários pertencem ao fundo de investimento norte-americano HTMF (o mesmo que patrocinou Corinthians e Cruzeiro no início da década).

A CPI da Nike devassou as relações entre CBF e a TRAFFIC, que supostamente tinha Ricardo Teixeira, presidente da CBF, como sócio não-declarado. Isto nunca foi provado, mas constantemente Teixeira, o ministro do Esporte Orlando Silva e J. Hawilla são encontrados em eventos festivos de pouca importância nacional como a inauguração do novo CT… da TRAFFIC!. Para completar, J.Hawilla é conselheiro do Ministério do Esporte, em um cargo que ninguém entende o que faz.

Hoje parceira prioritária do Palmeiras, a empresa possui os direitos econômicos (e em alguns casos, também os federativos sob o clube fantasia Desportiva Brasil), a empresa forçou a venda do defensor colorado Danilo Silva para o Dínamo de Kiev. Irritado, o presidente Vittorio Piffero foi enfático: “Vamos avaliar se essas parcerias são favoráveis“. No início do ano, o Inter comprou 50% dos direitos econômicos de Giuliano da TRAFFIC, e agora tem total controle sobre uma futura venda do jogador justamente para evitar imbroglios como estes.

No Cruzeiro, a situação foi mais grave, envolvendo a perda de um jogador de 15 anos. Como disparou Zezé Perrela, presidente do clube mineiro: “Uns empresários vieram aqui e deram R$ 450 mil para os pais do menino comprar uma casa. Agora, o jovem está no Desportivo Brasil (da TRAFFIC). A FIFA confirmou que é proibida a emancipação, então todo ano rasgo R$ 2 milhões. Com a lei atual, sempre aparece um empresário do nada e leva meus jogadores “. O clube tinha boas relações com a empresa, mas a ruptura parece ser definitiva.

No Palmeiras a situação continua razoável, mas o clube investiu em vários atletas na atual temporada sem a ajuda da TRAFFIC. Ano passado a maioria dos contratados estava ligado a este parceiro, gerando conflitos com os pratas-da-casa e com jogadores que já estavam no clube.

Não será o fim da influência da TRAFFIC no futebol brasileiro. Clubes como o Botafogo e o Atlético-MG possuem relações próximas a esta empresa, e outros podem ser alinhados. Mas certamente ocorreu uma ruptura envolvendo dois dos principais times brasileiros.