No dia que o Grêmio comemorou 15 anos deste feito, falamos do início da trajetória do Grêmio na conquista do bicampeonato da Copa Libertadores da América, em 1995. Hoje vamos falar sobre como se consolidou o Tricolor como o melhor time do continente à época: as quartas-de-final, semifinais e grande finalíssima.

Depois de embalar na Copa do Brasil 1995 ao bater o Palmeiras, o Tricolor superou o São Paulo e o Flamengo, sendo derrotado somente na final contra um time qualificado do Corinthians. Lembro até de uma (rara) frase infeliz do presidente Fábio Koff, que chamou Marcelinho Carioca de “pipoqueiro“. Foi justo este, Marcelinho, quem deu o título da Copa do Brasil ao Corinthians no final de junho: 1×0 em pleno Olímpico

O confronto contra o Flamengo pelo torneio nacional também ficou marcado pela lesão do atacante Magno. Criticado no início de temoprada, ele teve azar e foi duramente atingido por Fabiano, seu cumpadre de casamento no jogo de ida da Copa do Brasil. O Fla vencia por 2×0 quando o substituto de Magno, Jardel, marcou de cabeça e fez um salvador golzinho fora de casa. Dali em diante, nunca mais ele foi reserva no Grêmio…

Sete dias depois daquela classificação em São Paulo contra o Palmeiras, no mesmo instante que, no Beira-Rio ocorria mais um fiasco colorado típico dos anos 90 (isto é: ser eliminado em casa pelo Paraná ao perder por 1×0 e dando adeus à Copa do Brasil 1995 ainda na 2º fase), o Grêmio patrolava o Olímpia em pleno Defensores del Chaco por impiedosos 3×0 e virtualmente se classificava para a próxima fase da Libertadores.

Jogo de ida:

 

No jogo de volta, 2×0 ao natural e um novo confronto contra o Palmeiras, já nas quartas-de-final. Isto só três meses depois… 

 

Então, no final de julho depois de uma longa parada por causa da Copa América, veio o duelo contra o Palmeiras. No segundo confronto entre as duas equipes em competições mata-mata (haveriam mais dois em 1996 pela Copa do Brasil e Brasileirão), o Grêmio sublimou no Olímpico. Em uma partida épica, marcada pela expulsão de Rivaldo no primeiro tempo, pela briga histórica de Válber, Dinho e Danrlei e por um show gremista dentro de campo, o Tricolor enfiou 5×0 no Palmeiras e virtualmente se classificou para as semifinais.

O técnico palmeirense Carlos Alberto Silva foi muito criticado por tirar um volante e colocar um atacante quando o jogo já estava 2×0 para o Grêmio, pois Felipão deu um nó tático e aproveitou o erro estratégico palmeirense. O Grêmio não quis nem saber e fez seus gols através de Arce aos 41 e Arílson aos 51 do 1°tempo; Jardel aos 4, 21 e 38 do 2°tempo. Confiram os gols:

5×0? Acabou, né? Bem, não foi o que vimos na semana seguinte… O público oficial foi de 16 mil pagantes, mas na época era muito comum a evasão fiscal, sobretudo porque a renda era dividida. Estavam presentes quase 30 mil torcedores no Olímpico naquela gélida e chuvosa noite de 29 de julho

No jogo de volta, com lutadores de jiu-jitsu de ‘gandulas’, um clima de guerra marcou a partida no Parque Antárctica. Para piorar, Danrlei (que agrediu Válber mas não foi expulso no jogo de ida) foi suspenso pela CONMEBOL e o Grêmio ficou virtualmente sem goleiro, pois Murilo estava com dedo quebrado e o reserva Antônio Carlos (que desapareceu do mapa) estava lesionado. No sacrifício, Murilo jogou.

O Grêmio fez 1×0 antes de 8 minutos com um gol de Jardel marcando, digamos assim, ‘com as áreas pubianas’. O Palmeiras empatou aos 29 com Cafú e virou com Amaral aos 38. Aliás, este foi o 1º gol do volante na carreira.

Faltavam improváveis quatro gols, mas sob a conivente e pavorosa arbitragem do goiano Antônio Pereira da Silva (o “Pereirão”), o Grêmio se intimidou com os pontapés alviverdes e com seu próprio nervosismo. No segundo tempo, o Palmeiras ampliou com Paulo Isidoro, o violento Mancuso (de pênalti) e Cafú (de novo) aos 39 minutos. Faltavam 6 minutos mais os acréscimos, mas o Grêmio segurou. Final, Palmeiras 5×1 Grêmio, classificado para as semifinais.

As semifinais foram um anticlímax. O adversário seria o equatoriano EMELEC (que não tinha a altitude a seu favor), surrado por 4×1 no Olímpico na primeira fase e que eliminou antes o Cerro Porteño (Paraguai) e o Sporting Cristal (Peru). O grande destaque do time era o vigoroso centroavante Edouardo Hurtado, que inclusive acertou na trave no jogo de ida, um 0x0 um tanto complicado:

No jogo de volta, Grêmio 2×0 sem choro. A dupla dinâmica Paulo Nunes e Jardel asseguraram a vaga na final:

 

A decisão seria contra o colombiano Atlético Nacional, do goleiro Higuita e dos periogosos avantes Victor Hugo Aristizábal e Juan Pablo Ângel (ambos muito jovens, em início de carreira) que surprendentemente havia eliminado o quase mítico River Plate de Crespo e do ídolo “Don” Enzo Francescoli, com direito a gol de falta do maluco Higuita no tempo normal.

No primeiro jogo, o Grêmio patrolou. Higuita era o melhor em campo antes dos 20 minutos, com direito a uma magistral defesa em cabeceio de Arílson. O primeiro gol até demorou para sair, mas o tosco zagueiro Marulanda resolveu o problema marcando um golaço contra a ‘la Júnior Baiano’ ao cortar um cruzamento.

A porteira foi aberta e sete minutos depois Jardel, aproveitando falha de Higuita, ampliou para 2×0. No segundo tempo, o Tricolor continuou em cima e Paulo Nunes, aproveitando outro erro do goleiro colombiano, ampliou para 3×0. O Grêmio ainda perdeu inúmeros gols antes do atacante Juan Pablo Ângel descontar para o Nacional aos 27 minutos. Compacto do jogo:

GRÊMIO: Danrlei; Arce, Rivarola, Adílson e Roger; Dinho, Goiano, Arílson (Alexandre) e Carlos Miguel (Nildo); Paulo Nunes e Jardel. Técnico: Luiz Felipe Scolari

ATLÉTICO NACIONAL: Higuita; Santa, Marulanda, Foronda e Mosquera; Serna, Gutierrez, Pabón (Matamba) e Alexis Garcia; Angel e Arango.Técnico: Juan José Peláez

  • Juiz: Alfredo Rodas (Equador)
  • Local: estádio Olímpico (Porto Alegre)
  • Público: 54.257
  • Gols: Marulanda (Contra) aos 36 e Jardel aos 43 do 1ºtempo; Paulo Nunes aos 10 e Juan Pablo Angel aos 27 do 2º tempo.
  • Cartão Amarelo: Adílson, Angel, Gutierrez e Aléxis Garcia

No jogo de volta, o Nacional precisava vencer por dois gols de diferença para levar o jogo para as penalidades. Depois de Jardel errar um gol ridículo, o time da casa começou em uma pressão incrível. Aristizábal, grande estrela daquele time, aproveitou rebatida para marcar 1×0 aos 12 minutos.

O Nacional continuou em cima até o final do primeiro tempo, criando algumas chances boas mas nada muito claro. Já o Grêmio perdeu duas ótimas oportunidades com Jardel e Paulo Nunes, contando com uma boa atuação de Higuita.

Na etapa final, o time da casa foi ficando nervoso, enquanto o Grêmio controlava o temperamento. As chances foram raras para ambos os lados até que o reserva Alexandre saiu em disparada e foi derrubado na área. Pênalti que Dinho bateu com categoria e selou a decisão: Nacional 1×1 Grêmio. Grêmio, bicampeão da América.

Pênalti de Dinho em Higuita - José Doval/ZH

 

MELHORES MOMENTOS DA PARTIDA

A América era Azul.

De novo…

Fotos: reprodução blog Libertadores 1995, arquivo pessoal de André Kruse e José Doval, ZH

 

IMAGENS DA COMEMORAÇÃO

Adílson,

Jardel, artilheiro da competição com 12 gols

Festa no retorno dos campeões ao Brasil - José Doval/ZH

VEJA TAMBÉM:

Há 15 anos: Grêmio conquistava o bicampeonato da América! Parte I

Há 15 anos: Grêmio conquistava o bicampeonato da América! Parte I

Há 25 anos: Grêmio conquista a América!