Tenho visto um repertório de informações desencontradas sobre o fato de um “time rebaixado” não pode disputar a Libertadores já que o Goiás está na final da Copa Sul-Americana (cujo campeão vai para a Libertadores) e também já está matematicamente rebaixado à Série B 2011.

Isto não faz muito sentido, pois senão nenhum time poderia almejar o título da Copa do Brasil estando na Série B, Série C, Série D ou mesmo sem divisão alguma (15 de Novembro-RS em 2004, semifinalista da Copa do Brasil). Ninguém nunca comentou isto e duvido que seja verdade.

A prova são os exemplos pretéritos. Quatro times brazucas já disputaram a Libertadores e não estavam classificados para a Série A daquela temporada. Criciúma (1992), Juventude (2000), Santo André (2005) e Paulista (2006) participaram da Libertadores, e todos estavam na Série B. Fora o time catarinense, todos os demais foram eliminados na primeira fase.

Criciúma 1992:

Campeão da Copa do Brasil em 1991, o Tigre estava na Série B nacional. Fez ótima campanha na primeira fase contra São Paulo, e os bolivianos Bolívar e San José. Ficou em primeiro lugar com nove pontos (a vitória valia 2 pontos), com direito a um 3×0 histórico sobre o Tricolor Paulista na estréia (confira os gols).  Nas oitavas-de-final, bateu o Sporting Cristal (Peru) por 2×1 e 3×2) e, como o regulamento exigia, reencontrou o São Paulo.

No primeiro jogo, o poderoso time de Telê Santana só venceu por 1×0 no Morumbi, gol de Macedo, apesar de ter sido muito superior ao time catarinense. Veja o compacto: http://www.youtube.com/watch?v=JOeti0tylCM. Na partida de volta, um duelo épico no Heriberto Hulse que resultou em um empate em 1×1. O Tigre estava vencendo por 1×0, gol de Soares, e Roberto Cavalo ainda acertou o travessão no primeiro tempo. No segundo tempo, Catê empatou para o São Paulo. Buscando o gol da classificação, o Criciúma fez um bombardeio no gol de Zetti que, mesmo errando em muitos lances, conseguiu segurar o empate.

Em sua primeira, e até hoje única, participação na Libertadores, o Tigre terminou em uma belíssima 5º colocação. A torcida, emocionada, aplaudiu o time do então novato técnico Levir Culpi pela grande campanha e esforço: http://www.youtube.com/watch?v=fZ54FxAmZyA . Já o São Paulo conquistaria a Libertadores duas vezes seguidas e se tornaria o time da década de 90, seguido de Palmeiras e Grêmio (como reclamaram por causa desta frase, pelamordedeus).

Juventude 2000:

Campeão da Copa do Brasil de 1999, o time de Caxias do Sul foi para a Libertadores 2000 depois de amargar o rebaixamento no Brasileirão do ano anterior. Sem dinheiro, o time fez uma equipe pobre e com dificuldades técnicas. Repleto de veteranos e figurinhas carimbadas, o time do treinador Flávio Campos foi eliminado ainda na primeira fase contra Palmeiras, The Strongest (Bolívia) e El Nacional (Equador), ficando em 3º lugar no grupo.

OBSERVAÇÃO: o Juventude estava rebaixado no 1º semestre de 2000, quando ocorreu a Libertadores. A virada de mesa que gerou a Copa João Havelange só ocorreu no 2º semestre, em agosto/setembro.

Santo André 2005:

Surpreendente campeão da Copa do Brasil de 2004, o Azulão foi para a Libertadores disputando a Série B do Campeonato Nacional. Fez uma campanha irregular e a derrota de 1×0 para o Táchira (Venezuela) na 1º rodada pesou para a eliminação em um grupo que tinha ainda Palmeiras e Cerro Porteño (Paraguai).

Paulista 2006:

Também do interior paulista (Jundiaí), o Paulista chegou credenciado como time campeão da Copa do Brasil de 2005 e disputando a Série B. O time do técnico Vágner Mancini fez uma campanha irregular. Com três empates e 2 derrotas, o Paulista só venceu um jogo, justamente contra o adversário mais imponente: o Ríver Plate argentino. El Nacional (Equador) e Libertad (Paraguai) foram os outros adversários, classificando-se a equipe argentina e paraguaia. Curiosamente, o River Plate eliminou outro brasileiro, o Corinthians, enquanto o Libertad foi eliminado pelo Internacional nas semifinais.