A derrota de 1×0 para o Jaguares, atual lanterna do Campeonato Mexicano, pela Copa Libertadores 2011,  é mais uma prova do ‘circo de horrores’ que a torcida do Internacional está sujeita já há algum tempo. Desde o título da Taça Libertadores, bisando o fiasco do Cruzeiro de 1997, praticamente nada foi feito de maneira correta no futebol colorado.

Celso Roth está no clube até o Inter ser eliminado da Libertadores. Ou até acabar a paciência da diretoria contra a fúria da torcida. Isto pode ocorrer ainda hoje, na volta da viagem do México. Talvez seja este o momento de uma guinada, uma quebra de paradigma, dentro do futebol colorado. Explicações vagas dos jogadores, treinador e dirigentes só pioraram o clima, causando enxurradas de comentários e e-mails de colorados nas redes sociais e redações dos meios de comunicação.

RELATO DE UM FRACASSO

Após o título da Libertadores, os erros começaram no Beira-Rio. Primeiro, o excesso de cautela e a dúzia de jogos com time misto ou reserva no segundo semestre, culminando com a péssima sétima colocação no Brasileirão. Depois, a falta de coragem de Roth em tirar os titulares, em péssima fase, Wílson Mathias, Tinga e Alecsandro, deixando Giuliano, Oscar e Leandro Damião apenas como opção no banco de reservas.

A opção por um esquema 4-2-3-1 que claramente prejudicava o melhor futebol de Rafael Sobis, isola o centroavante (seja quem for) e deixava o time ineficiente no ataque. Em diversos jogos, o Inter tocava a bola, tocava a bola e nada. Para completar, uma zaga velha e lenta:  os quatro principais  zagueiros estão acima de 30 anos. Um deles, o multicampeão Índio, já passou dos 35 jogando mal e foi bizarramente premiado com mais dois anos de contrato. O ápice da trajetória do fracasso ocorreu obviamente na derrota de 2×0 para o TP Mazembe em Abu Dhabi.

Quase tudo é de responsabilidade do técnico Celso Roth. Mas não tudo. O paradoxo se vê quando a Internazionale, campeã mundial e igualmente pressionada pelos péssimos resultados, demitiu o técnico campeão Rafa Benítez. Já o Inter, que terminou em terceiro, manteve o treinador. Informações de bastidores indicam que o aval de Fernando Carvalho foi crucial para esta manutenção.

Em 2011, o ano começou auspicioso para o time: quatro reforços de boa qualidade foram contratados, e muitos jogadores insuficientes foram liberados. Porém o exagero na utilização do fraco Inter-B, culminando com o mico na Taça Piratini, obrigou o vice-presidente Roberto Siegmann a uma decisão radical, e na minha opinião, corretíssima: o fim deste grupo que não acrescenta nada tecnicamente, custa uma fortuna e só serve para beneficiar atletas medianos e seus procuradores. Siegmann mostrou ousadia ao rejeitar os preceitos de Fernando Carvalho, idealizador e maior defensor do Inter-B, e rapidamente liberou 20 jogadores.

Depois, o time ficou 15 dias sem jogar, apenas treinando. Começou bem, goleando o Ypiranga, seguido por um empate em 3×3 com o Caxias e uma vitória de goleada sobre o horrendo Jorge Wilstermann na Libertadores. Um tropeço em casa, 0x0 com o Novo Hamburgo, seguido por um 1×0 no São José, outro 0x0 no Beira-Rio contra o São Luiz, e um 3×0 no mesmo J. Wilstermann. Um magro 1×1 com o Lajeadense e a derrota de ontem.

Os problemas são vários: insistência com jogadores em fase técnica deplorável, como Nei, Wílson Matias e Índio. Falta de poder ofensivo para armar jogadas contra adversários retrancados. E uma visível falta de comprometimento nos últimos jogos. Sinais do fim do controle de Roth sobre o grupo, algo tão valorizado pelos dirigentes nos últimos meses. Sem contar a insistência por ações defensivas e a manutenção do ineficiente 4-2-3-1 com meias que fazem poucos gols. A substituição do cansado Bolatti por um volante, o já famigerado Wílson Mathias, com o Inter já perdendo para o Jaguares, apenas ilustra os equívocos de um técnico perdido.

Existe algo no futebol: o fato novo. A dupla Gre-Nal, excetuando-se nas desastrosas contratações de Joel Santana (Inter, 2004) e Paulo Autuori (Grêmio, 2009) sempre melhorou consideravelmente com o novo treinador. Ano passado, o Tricolor conseguiu isto com a saída de Silas.

Ou seja: Roth já foi, só não sabe ainda a data.

E quem seria o substituto? Vejam no próximo post…