Sabem este time com salários em dia, organizado, infraestrutura completa de treinamentos, funcionários bem remunerados, administração de excelência e com jogadores que completam 100, 200 jogos pelo clube? Este é o retrato do Internacional após 2002. Pois esqueçam tudo isto. Estamos voltando 18 anos no tempo e o cenário era beeeem diferente…

O Internacional de 1993 era um dos mais bagunçados de uma época já conturbada, sob gestão do presidente José Asmuz. Depois de um primeiro semestre catastrófico, no qual foi eliminado da Libertadores na primeira fase, em último em um grupo de quatro no qual se classificavam três, foi eliminado pelo Londrina na Copa do Brasil e ainda perdeu o Gauchão por antecipação para o Grêmio. Nada menos impactante para um time mediano que só teve Jandir de contratação e cujo ataque foi formado por Jairo Lenzi e Rudinei, pois Gérson já sofria com sintomas da AIDS que lhe vitimaria no ano seguinte.

Este era o contexto sob o qual chegou Paulo Roberto Falcão para comandar o Inter no Brasileirão de 1993. Para completar as dificuldades, poucos reforços vieram, mas alguns jogadores de expressão na época: Paulinho McLaren, Mazinho Oliveira, Djair, Adílson (Baptista)… Também trouxe um zé ninguém chamado Beto Cruz, que começou como titular mas perdeu a posição para o igualmente péssimo Marcão. As esperanças coloradas estavam no ataque, de Paulinho e Wágner, que havia marcado época no Fluminense ao lado de Ézio.

Querem mais? Classificavam-se 3 de 8 times e o grupo do Inter era disparado o mais forte. Tinha um dos maiores times do futebol mundial na década, o bicampeão São Paulo de Telê Santana. Um surpreendente Corinthians, que ficou invicto toda a primeira fase com Mário Sérgio de técnico, Rivaldo, Winck, Válber, Viola e Zé Elias comandando o time. Um belíssimo Flamengo, de Marcelinho, Gilmar, Júnior Baiano, Edu Lima, Nélio, Casagrande. E um promissor Cruzeiro, com os experientes Roberto Gaúcho, Luís Fernando Rosa Flores e um garoto abusado, de 16 anos. Ronaldo…. E olha que o Bragantino também tinha um time muito competitivo.

Para completar, durante a Copa América o Inter simplesmente não fez amistosos nem uma pré-temporada, chegando no Brasileiro com pouco entrosamento. No primeiro turno, Wágner sofreu uma gravíssima lesão e ficou fora por mais de 1 ano. Paulinho manteve sua irregularidade (fez apenas seis gols em 14 jogos) e o time fracassava ofensivamente.

A inexperiência de Falcão, e a pressão por ser o maior ídolo da história do clube, ainda eram prejudicadas pela baderna fora de campo. Os salários atrasavam 2, 3 meses e alguns jogadores citavam contusões não-diagnosticadas, notadamente Djair e Mazinho Oliveira. A boa defesa, a despeito de alguns erros do ídolo Fernandez, era abalada pelos péssimos laterais, sobretudo no lado direito.

Ao longo da competição, o Inter em casa empatou 3 vezes: Bragantino, Corinthians e São Paulo, vencendo o resto com alguma facilidade. Como visitante, venceu o Bahia e empatou com o Bragantino. O grande desastre ocorreu na antepenúltima rodada, quando o totalmente eliminado Botafogo, que ficou mais de 10 rodadas sem fazer gol, venceu por 2×0. Isto obrigava o Inter a vencer o São Paulo e o Cruzeiro, empatando a primeira e perdendo a segunda de goleada.

Eliminado, o clube ia para mais uma discussão política, com Pedro Paulo Záchia ganhando facilmente a eleição. Ele queria que Falcão se tornasse dirigente das categorias de base, mas este não aceitou. Era o fim de sua passagem, de menos de 1 ano, comandando seu time do coração.

Sendo assim, afirmo que Falcão errou em aceitar ir para um clube que sequer pagava salários em dia. Não teve reposição após a lesão de Wágner. Errou principalmente na abordagem dos jogos fora de casa.

Mas também tinha um time inferior a pelo menos três dos sete adversários e deu um pouco de azar em jogos cruciais nos quais merecia melhor resultado (empates em casa contra Corinthians e São Paulo, uma imerecida derrota no Morumbi contra o mesmo Tricolor).

Time base:

Fernandez; Marcão (Beto Cruz), Adílson (Argel), Wladimir e Daniel (Zinho); Daniel Frasson, Djair, Élson e Mazinho Oliveira; Wágner (Mazinho Loyola) e Paulinho McLaren

CAMPANHA:

1º TURNO
São Paulo 3×2 Internacional
Internacional 1×0 Botafogo
Internacional 1×1 Bragantino
Corinthians 2×0 Internacional
Internacional 1×0 Bahia
Flamengo 3×0 Internacional
Internacional 3×0 Cruzeiro

2º TURNO
Bragantino 3×3 Internacional
Bahia 1×0 Internacional
Corinthians 1×1 Internacional
Internacional 2×0 Flamengo
Botafogo 2×0 Internacional
Internacional 1×1 São Paulo
Cruzeiro 4×1 Internacional