Com um elenco de muito boa qualidade, reservas de bom nível e muito dinheiro em caixa, fica difícil entender os problemas recentes no futebol do Internacional. O desastre no Mundial de Clubes contra o Mazembe, antecipado na má-campanha do Brasileirão, e que se repetiram ontem na eliminação perante ao Peñarol em pleno Beira-Rio, incomodam  uma torcida acostumada aos títulos na última década.

Acredito que boa parte dos problemas passe por uma concepção equivocada na idéia de jogo e na montagem do elenco colorado. A política de futebol do Internacional estabelece que um time representativo da mesma fica com a posse de bola muito mais do que o adversário. Sendo assim, a maioria dos jogadores contratados para o meio-campo e laterais são de ótimo passe, assim como os volantes.

Isto garante à qualquer time colorado, excetuando-se os do 1º semestre de 2009 e o de 2006, o controle das ações do jogo. O velocíssimo time de Tite no 1º semestre de 2009 (que fez mais de 80 gols nos primeiros seis meses do ano), no qual brilhavam Taison e Nilmar, é um contra-exemplo. Assim como o time campeão da América e do Mundo, que marcou vários dos gols mais importantes da história do clube em jogadas de contra-ataque.

Todavia, nos últimos dois anos o Internacional padeceu de problemas crônicos e, até agora, insolúveis. Foi assim no segundo semestre de 2009, no segundo semestre de 2010 e nesta presente temporada. São eles:

Problema 1: É um dos times mais lentos do futebol brasileiro.

Se colocarmos duas tartarugas a serem monitoradas pelo time do Inter, as duas fogem. Kléber é lento, Bolívar é lento, Sorondo é lento, Índio é lento, Rodrigo é lento, Wílson Matias é muito lento, Guiñazu é lento, D’Alessandro é lento, Andrezinho é muito lento, Rafael Sóbis é lento.

Bolatti, por característica da função, é lento. Nei é rápido, mas não faz nada.  Sobram apenas Oscar e Leandro Damião como jogadores velozes. Pouco, muito pouco. Isto sem contar os quatro zagueiros colorados, todos com idade acima de 30 anos. Em 2010, Fabiano Eller saiu mas Rodrigo veio e pouco mudou na defesa do Inter, vulnerável à ataques.

Problema 2: É um time extremamente ineficiente no ataque.

Virou rotina em jogos do Internacional ficar o tempo todo com a posse de bola, com passes infrutíferos na intermediária e ao redor da área, sem conclusões ou chegadas em triangulação. A verticalidade da equipe praticamente não existe, os contra-ataques normalmente não resultam em nada devido às características dos atletas envolvidos.

Na prática, em jogos que as individualidades ou uma bola parada não resolvem a favor do Colorado, o que ocorre é uma sucessão de passes inúteis até que o adversário roube a bola e parta para o gol vermelho.  Contra o EMELEC, contra o Grêmio domingo e ontem ficou clara a dificuldade do Inter em entrar na área de adversários em jogadas trabalhadas, verticais pelo meio-campo. Exatamente o que ocorreu apenas duas vezes ontem, nas melhores chances coloradas: o gol de Oscar e o chute de Kléber do lado da trave.

Isto sem contar dois defeitos anímicos, sob os quais repousa a responsabilidade (ou a inexistência desta) dos líderes do elenco em campo. O primeiro é de que o Inter faz um gol e automaticamente diminui o ritmo. O segundo é uma tendência a recuar sempre que acossado, incapaz de reagir agressivamente e contragolpear o rival. Talvez pelo primeiro problema lá de cima, a lentidão geral do time.

Agora com muito tempo para treinar (são apenas 2 jogos nos próximos 17 dias), Falcão poderá impor suas idéias no time. A verticalidade e maior potencial ofensivo.

Por enquanto, o time é exatamente o mesmo dos tempos de Celso Roth: lento, burocrático, estéril.