A Seleção de Zâmbia é campeã africana pela primeira vez em sua história. Conquistou o título contra a favorita Costa do Marfim nas penalidades por 8×7 , após um 0x0 no tempo normal e prorrogação. Só que esta não foi uma conquista especial por ser inédita, por ser o ponto máximo de toda a seleção da África.

Zâmbia é campeã africana de nações - Foto: Issouf Sanogo, AFP

Ela evidencia a redenção de uma nação, que enfim poderá homenagear seus mortos com uma conquista inesquecível. O jogo de ontem reuniu elementos de alegria, dor, frustração e uma saudade daqueles que se foram antes da hora… E nada mais singular, mais emblemático, mais significativo do que a decisão ter sido disputada em Libreville, no Gabão. Justamente o local da maior tragédia do esporte naquele país.

Era uma vez um time jovem, que pela primeira vez se classificou para os Jogos Olímpicos. O ano era 1988, Olímpiadas de Seul. Este time, classificado ao lado de Tunísia e Nigéria, caiu em um grupo que tinha Iraque, Guatemala e a favoritaça Itália. No dia que este que vos escreve completava nove anos de idade (19 de setembro de 1988), os italianos de Mauro Tassotti, Ciro Ferrara, Steffano Tacconi, Andrea Carnevale foram impiedosamente goleados por 4×0. Três gols de Kalusha Bwalya. Guardem este nome…

Líder da primeira fase, Zâmbia foi superado nas quartas-de-final pela forte  Alemanha Ocidental (de um tal Jurgen Klinsmann…) por 4×0 e ali se encerrava a primeira participação zambiana em uma competição de alto nível. E uma ótima impressão. Cinco anos se passaram e Zâmbia era a sensação do futebol africano. Com um futebol ofensivo, liderava seu grupo nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos. Passaram da primeira fase e estavam no triangular final com o favorito Marrocos e mais o Senegal. O craque do time, Kalusha Bwalya, jogava no holandês PSV Eindhoven e chegaria direto à Dakar, no Senegal.

Antes do primeiro jogo, no dia 27 de abril, um avião da Força Aérea de Zâmbia levava a delegação, com 18 atletas e o treinador Godfrey Chitalu. O avião teve problemas no motor detectado na escala em Libreville, Gabão (isso, o local da conquista de ontem). Mesmo assim decolou, para cair no mar 500 metros depois da costa. Todos morreram, incluindo cinco jogadores que disputaram as Olimpíadas: Derby Makinka, Eston Mulenga, Richard Mwanza, Samuel Chomba e Wisdom “Mumba” Chansa. Apenas Bwalya , que ainda estava na Holanda antes de se reunir com a delegação, e Charles Musonda, lesionado e que estava na Bélgica, sobreviveram entre todos os 11 titulares.

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Era o momento mais trágico do esporte na jovem nação.

Zâmbia chorou por seus mortos.

O capitão e ídolo Bwalya levantou-se da dor e comandou uma revolução.

O mundo da bola seguiu…

Isto veremos ainda hoje, aqui no Almanaque Esportivo.

CONTO DE FADAS DE ZÂMBIA

Parte I: Jogos Olímpicos de 1988 e a tragédia aérea em 1993

Parte II: Os anos perdidos (1993, 1994, 2006) e a glória na Copa Africana de Nações em 2012