Na seção “Túnel do Tempo” do Almanaque Esportivo desta semana, vamos rever a primeira vitória de Rubens Barrichello na Fórmula-1: o GP da Alemanha de 2000. Há exatos 12 anos, Rubinho em sua primeira temporada pela Ferrari conseguia uma vitória improvável na saudosa pista de Hockenheim, ainda em seu traçado original.

Rubinho, que até a temporada 2000 tinha como melhores resultados dois segundos lugares (GP do Canadá 1995, GP de Mônaco 1996), e outros quatro terceiros (GP do Pacífico 1994; San Marino, França e Europa, todos no ano de 1999, fazia um início regular na Ferrari, muito atrás do companheiro Michael Schumacher e com dificuldades de andar próximo às McLaren Mika Hakkinen e David Coulthard. Segundo no GP da Austrália, Mônaco e Canadá, tinha sido 3º na Espanha, França e Áustria.  Obrigado ao leitor Gabriel Fiúza que me apontou a falha de levantamento.

No treino de classificação, diversos problemas deixaram o brasileiro em 18º lugar. Um início nada auspicioso para Rubinho… A corrida, com o tempo bastante nublado na área da Floresta Negra, já começava com problemas:  Schumacher e Giancarlo Fisichella se tocaram na primeira curva, batendo com força e abandonando a corrida, para decepção dos milhares de alemães que lotavam o autódromo torcendo pelo seu ídolo.

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Faltando 17 voltas, com Hakkinen e Coulthard liderando com folgas, o incidente com o insano que invadiu a pista e ocasionou um novo safety-car. Este incidente foi citado semana passada aqui no Almanaque Esportivo: F-1 Bizarro: os 3 malucos que invadiram a pista durante as corridas!

Isto atrapalhou a corrida da McLaren, que perdeu tempo ao trocar os pneus de Hakkinen e Coulthard ao mesmo tempo, derrubando o escocês para o fim do pelotão. Só que a corrida maluca não havia se encerrado, e na saída do safety-car para os boxes, retornando à corrida, o francês Jean Alesi e o brasileiro Pedro Paulo Diniz batem violentamente, causando nova entrada.

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Com poucas voltas e pista molhada em alguns setores, muitos pilotos foram para os boxes colocar pneus de chuva. Rubens Barrichello, Heinz-Harald Frentzen, David Coulthard e Ricardo Zonta, que não haviam parado e se seguravam com pneus de pista seca no asfalto molhado, estavam entre os primeiros, com Hakkinen em 5º lugar.

Frentzen quebrou, Zonta foi punido e depois bateu e Hakkinen encostou, indo para o 2º lugar. Nas voltas finais, Rubinho torcia para que a chuva não ocorresse, senão teria que parar ou perderia a vantagem. Com muito cuidado na pista molhada e de pneus slicks, o brasileiro conseguiu chegar à linha de chegada em primeiro lugar.

A emotiva narração de Galvão Bueno, do qual eu não sou muito fã, é lendária:
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Barrichello comemora ao lado de Coulthard sua 1º vitória - Foto: AFP

Esta corrida foi marcada por alguns recordes:

  • Barrichello se tornou o piloto com mais GP’s antes de conquistar a primeira vitória: 123 largadas. Marca só quebrada pelo australiano Mark Webber (130 GP’s) em 2009 também no GP da Alemanha.
  • Seu 18º lugar na largada antes de obter a vitória era (e é ainda) a 3º melhor marca da história, superado apenas pelo 22º lugar do inglês John Watson no GP dos EUA em 1983 e pelo 19º lugar do norte-americano Bill Vukovich no GP dos EUA de 1954.
  • Foi a primeira vitória do Brasil desde o distante ano de 1993, no GP da Austrália e obtida por Ayrton Senna.
  • Rubens Barrichello encerrou sua carreira de 19 anos na Fórmula-1 em 2011 com: 322 GP’s, 11 vitórias, 14 pole-positions e 17 melhores voltas.