Em baixa nas últimas edições dos Jogos Olímpicos, o atletismo masculino já trouxe inúmeras medalhas para o Brasil. São quatro medalhas de ouro: Adhemar Ferreira da Silva, bicampeão no salto triplo em 1952 e 1956, Joaquim Cruz, campeão olímpico em 1984 nos 800m rasos, e Mauren Maggi, campeã olímpica em salto à distância em 2008.

Os brasileiros conquistaram ainda três pratas e sete bronzes no total de modalidades do atletismo, totalizando 14 no total.  Este esporte só perde para o judô, vela e voleibol na lista de esportes com mais conquistas até hoje na história dos Jogos Olímpicos. Mas a tradição brasileira esmoreceu nos últimos anos.

À parte do ouro de Mauren em Beijing, o atletismo brasileiro tem tido resultados inexpressivos, especialmente no masculino. É bem verdade que Vanderlei Cordeiro de Lima estava perto do ouro na mítica Maratona de Atenas em 2004 quando aquele padreco(ex) insano o acertou, mas os demais resultados foram bem ruins. Só chegamos à duas finais até o momento, e temos mínimas chances nos revezamentos 4×100 masculino e feminino, além da sempre imprevisível maratona.

Nesta semana que começam as disputas no atletismo, vale recordar os dois momentos brilhantes do revezamento 4×100 rasos nos Jogos de Atlanta (bronze) e Jogos de Sydney (prata). Esta prova é especial porque além da velocidade em si, depende muito do entrosamento.

Em Atlanta, o Brasil tinha chances remotas, pois além dos favoritos Estados Unidos e Canadá, a Grã-Bretanha, Jamaica, Nigéria estavam mais cotadas. O time brasileiro de Arnaldo de Oliveira, André Domingos, Édson Luciano e Róbson Caetano fizeram um bom tempo na primeira fase, atrás somente da Ucrânia em sua raia. Logo na 1º fase, a zebraça: os ingleses derrubaram o bastão e foram eliminados.

Nas semifinais, mais zebras: enquanto o Brasil passava tranquilo em 2º lugar na primeira eliminatória, atrás dos canadenses, na segunda eliminatória um verdadeiro caos: jamaicanos, australianos baamianos e nigerianos se atrapalharam e foram eliminados.

4x100m em Atlanta - Bronze

4x100m em Atlanta – Bronze

Sendo assim, o Brasil só precisava bater, na prática, um eventual erro na troca dos bastões e os ucranianos para ganharem o bronze. Foi exatamente isto que ocorreu, com direito ao show canadense capitaneado por Donovan Bailey e uma bela recuperação do brazuca André Domingos. Vejam:

Quatro ano depois em Sydney, o prognóstico brasileiro era bem melhor. Claudinei Quirino substituía o veterano Róbson Caetano, de novo ao lado dos medalhistas de bronze em Atlanta André Domingos,  Édson Luciano e Cláudio Roberto, e com o novato Vicente Lenílson entrando no time.

Logo na primeira fase, novamente os ingleses se atrapalharam todos e foram eliminados, repetindo o mico de quatro anos antes. O Brasil, mesmo poupando seu melhor velocista (Claudinei), fez o segundo tempo, logo abaixo dos norte-americanos. Com um time muito fraco, já sem o campeão olímpico Donovan Bailey, o Canadá sofria a pressão. Cuba e Jamaica eram os outros adversários brasileiros, com os eternos favoritos Estados Unidos buscando recuperar a hegemonia.

Nas semifinais, e já com Claudinei Quirino, o Brasil passou com problemas na última transição, mas ainda assim com o terceiro tempo, ao lado dos jamaicanos (empatados, aliás), 1 décimo atrás do surpreendente time cubano e longe dos americanos, que tinham Maurice Greene como principal velocista.

Brasil no 4x100 em Sydney, medalha de prata

Brasil no 4×100 em Sydney, medalha de prata

Na decisão, o drama com Vicente Lenílson, que correu com dores na virilha. Ele fez um bom início e passou para Édson Luciano. Em ritmo crescente, André Domingos pegou o bastão e ficou em ótima posição. Na última transição, o Brasil estava em terceiro, atrás dos cubanos e dos norte-americanos. Em uma arrancada sensacional, Claudinei Quirino obteve a prata no melhor momento do atletismo masculino brasileiro daquela Olimpíada, à frente de Cuba (bronze) e dos EUA (ouro):