O próximo post não é de minha autoria. Há cerca de dois meses, minha esposa Mariane Batista foi para o Peru acompanhar o Campeonato Sul-Americano de Vôlei Feminino Infanto-Juvenil. De lá, saiu impressionada com a relação entre o Peru e o Vôlei, especialmente o feminino, já que o país sul-americano foi medalhista olímpico nos anos 80. E é esta história que ela irá nos contar:

Mariane Batista torcendo pelo Brasil no Sul-Americano de Vôlei - Arquivo Pessoal

Em meados de agosto por meio de uma brincadeira surgiu a oportunidade de irmos, eu e minha irmã Márcia, até Lima (Peru) assistir ao Campeonato Sul Americano de Voleibol Infanto Juvenil Feminino. Teríamos a oportunidade de ver de perto minha sobrinha-afilhada atleta, Lyara, jogar pela Seleção Brasileira. Pesquisamos, conversamos, entramos em contato com um ótimo site de vôlei, o Vive Voley e através dele confirmamos as datas e posteriormente as tabelas de jogos.

Mari e a sobrinha Lyara Batista Medeiros, atleta da Seleção - Arquivo Pessoal

No tempo entre a decisão de ir e o campeonato, aconteceu o Campeonato Sul Americano Juvenil Feminino. Acompanhava o desempenho do Brasil através das redes sociais e consegui assistir à final entre Brasil e Peru pela internet… Após esse jogo tive certeza que não seria nada fácil estar lá, pois percebi que os peruanos gostam bastante de Vôlei, gostam não, são fanáticos e pelas categorias de base, uma vez que hoje eles não tem força na categoria adulta. A torcida de quase 6000 pessoas no ginásio no dia da grande final (uma segunda feira, 18h…) que vibrava a cada ponto conquistado por sua seleção, calou-se quando o time juvenil Brasileiro sagrou-se Campeão. Mas o canal de TV peruano que transmitiu on line o jogo, mostrava sempre a sua bela torcida, suas atletas guerreiras e seu povo…
Organizamos nossas datas de forma a estar lá para assistir ao 3º jogo da fase classificatória e fase final, incluindo a semi e a final. Com a certeza que a final seria entre os times mais fortes, o favorito Brasil e o dono da casa Peru, precisava muito ter os ingressos garantidos para o espetáculo. Contatando o site, fiz um novo amigo, Nano Gonzales que foi muito paciente na interminável troca de e-mail’s e em esclarecer todas as dúvidas que eu tinha. Sempre se mostrou solícito e muito educado e no meu desespero nos e-mail’s a dois dias da ida para o Peru, ofereceu-se para comprar os ingressos para nós.
Chegando o grande dia de assistir o primeiro jogo, um sábado a tarde, nos deslocamos até o Coliseo Miguel Grau em Callao e lá já na entorno do complexo esportivo percebi que não seria fácil…   Entrando no ginásio, sentamos no meio da torcida peruana e assistimos a um jogo que acontecia antes do “nosso”… E mesmo sem ser a Seleção da casa jogando a torcida vibrava bastante. O jogo que assistimos era Brasil X Argentina e a torcida peruana torcia SEMPRE contra nós, mesmo que fosse seu próximo adversário, eles até vibravam com os belos lances, mas nunca assumiam torcer para o “favorito”.
Eu me questionava: Quem é esse pessoal que está aqui assistindo a esses jogos? Será que moram aqui perto? (Callao é um município da Grande Lima) Será que suas familiares estarão em quadra pela Seleção Peruana? Que nada, são pessoas que gostam de vôlei, são novos, crianças, adultos, idosos… gente de todo tipo e classe social.
Após a vitória das nossas meninas sobre as “hermanas” Argentinas, assistimos ao jogo entre Peru X Chile, agora já sentadas mais afastadas da torcida mais eufórica. Nesse momento observei a grande torcida peruana que levaram seus tambores e cornetas para torcer com seus rostos pintados de vermelho e branco. O Brasil passeou sobre o Chile na semi final e após aconteceu o jogo entre Peru e Argentina, ganhando os donos da casa no tie break em um jogo muito emocionante.
No dia da grande final, senti um arrepio ao entrar no Miguel Grau, ginásio dito amaldiçoado pelos peruanos, uma vez que havia alguns Campeonatos que o Peru estava disputando títulos e não ganhava.  Eles tiveram três eliminações em torneios internacionais desde 2008 nesse ginásio. Acredito que dizem ter fantasma porque o Complexo Miguel Grau fica em frente a dois enormes Cemitérios.
A grande final foi um lindo e emocionante jogo. Acredito que além das 12 atletas e comissão técnica, estavam lá torcendo pela Seleção Brasileira, Rafael Petry, técnico da Seleção Colombiana que além de brasileiro é Gaúcho, o técnico Antonio Rizolla que é Diretor de Seleções da CBV, uma moça da imprensa brasileira e nós, eu a minha irmã Marcia.

Os outros 6000 presentes eram torcedores peruanos que viram seu Peru ser Campeão Sul Americano após 32 anos sem nenhuma vitória, 3×2 na decisão! Para eles foi ganhar a Copa do Mundo… o país parou, todos sabiam do jogo, todos assistiram ao jogo e inclusive a sua reprise 24 horas após… 80% dos jornais tinham o Peru Campeão em sua capa, enfim, eles respiram o Vôlei!

Todos os jornais peruanos no dia seguinte à vitória - Arquivo Pessoal

Foi uma experiência única e inesquecível, claro que a idéia era trazer o Ouro para casa, mas não foi possível por diversos fatores. É capaz de eu ser  “mal entendida” pelo que vou escrever, porém mesmo que o “preço” tenha sido ver nossas meninas tristes, eu posso dizer que estive num evento desportivo que entrou para a história do Peru.  Fiquei triste também, é claro, mas no esporte é assim, um vence e o outro perde, e naquele 26 de novembro foi o dia do Peru vencer e fazer o país parar e comemorar seu título!
TODAS as mídias no momento seguinte, e nos dias seguintes ao término do jogo tinham esse assunto, rádios, canais de TV, inclusive com transmissão ao vivo da frente do hotel de las Campeonas…

Dia seguinte, e a final ainda era o assunto do país - Foto Arquivo Pessoal

Foi bonito, foi mágico, foi emocionante!