Há pouco menos de dez anos, a Alemanha se preparava para sediar pela segunda vez a Copa do Mundo. Fora de campo, a expectativa era imensa, com estádios e cidades preparados para fazerem a melhor Copa do Mundo de todos os tempos (o que seria fielmente cumprido em dois anos). Mas dentro de campo o desânimo imperava. Depois da geração espetacular de Lothar Matthaus, Jurgen Klinsmann, Mathias Sammer, Thomas Hassler, Andreas Moller e Steffan Effenberg, o futebol alemão de clubes e seleções estava em uma situação delicada.

Em Portugal na Eurocopa 2004, a Seleção Alemã ficou em 12º lugar de 16 seleções. E isto era melhor que a campanha anterior, penúltimo lugar em 2000 na Holanda. Depois de ser tricampeã mundial na Itália em 1990, o time alemão havia parado nas quartas-de-final em 1994 e 1998, com uma equipe sem renovação, repetindo-se taticamente.

O contraponto ocorreu na Copa de 2002 quando, em uma combinação impressionante de sorte e eficiência focada no destaque individual de Michael Ballack e Olivier Kahn, chegou na final sem jogar bem. Perdeu para o Brasil em seu único grande jogo. Um “aborto da natureza”. Não representava o futuro.

Nos times alemães, a situação não era melhor: o gigante Bayern de Munique havia chegado à final da Liga dos Campeões duas vezes seguidas (campeão em 2001) e o Bayer Leverkusen surpreendeu com o vice em 2002. Porém a fonte secou: os clubes naufragavam nas competições européias e foram superados pelos ingleses no ranking da UEFA, ficando em 4º lugar e perdendo uma vaga na Liga dos Campeões para os arquirrivais ingleses, atrás de italianos e espanhóis. De 17% de estrangeiros em 1992, a Alemanha tinha passado para 34% em 1997 e absurdos 60% em 2002.

Uma Bundesliga com média de público apenas regular, sem maiores incidentes de violência, mas ingressos caros e jogos desinteressantes. Repletos de estrangeiros e veteranos, era alinhada no segundo nível junto com o Campeonato Francês e apenas um pouco acima do Português, a léguas de distância da “Premier League”, da “Série A” e da “La Liga”. Por seis anos, de 2002 a 2008, a Alemanha não colocou nenhum semifinalista na Liga dos Campeões.

Em uma profunda reflexão interna, os alemães perceberam que deveriam focar na formação de novos jogadores e fortalecer o futebol de clubes, o Campeonato Alemão. E isto iremos ver nesta terça-feira…

SÉRIE COMPLETA – A REVOLUÇÃO ALEMÃ NO FUTEBOL