Seguindo a série “Heróis do Esporte”, vamos contar a vida e a obra do atleta alemão Luz Long. No dia 12 de setembro de 2013, comemorou-se o centenário do nascimento de um dos atletas mais especiais da história do esporte: Jesse Owens. O negro que ganhou quatro medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de Berlim em 1936. Um evento que mostraria a supremacia da raça ariana para o líder nazista Adolf Hitler, acabou sendo “estragado” por um atleta da raça “inferior” justamente nos esportes mais atléticos e valorizados de então.

A história de Owens é conhecidíssima: ele ganhou os 100m rasos, os 200m rasos, o revezamento 4x100m rasos e ainda o salto em distância, se tornando o atleta mais laureado na Olímpiada. Um negro se tornando uma lenda no esporte em plena Alemanha nazista, para fúria de Adolf Hitler como podem ver no vídeo abaixo:

Porém a história de hoje é sobre Luz Long. Campeão europeu no salto em distância, Long era um dos favoritos nesta modalidade ao lado de Owens (então recordista mundial com 8m13cm, marca que permaneceu por 25 anos). Depois de facilmente obter a marca mínima de 7m15cm para a fase final (e de quebra bater o recorde olímpico), Long viu o norte-americano queimar seus dois primeiros saltos e mostrar grande ansiedade.

Em conversa particular com o americano, Long indicou a ele que ele poderia reduzir em uma passada e pular bem longe da marca, que ainda assim alcancaria o mínimo. Owens fez exatamente o sugerido e conseguiu 7m25cm, com 10 centímetros de folga para o mínimo.

O alemão Luz Long bate papo animadamente com Jesse Owens durante os jogos Olímpicos de Berlim em 1936. Amizade entre um negro e um alemão em pleno regime nazista: cenas para sempre.

O alemão Luz Long bate papo animadamente com Jesse Owens durante os jogos Olímpicos de Berlim em 1936.
Amizade entre um negro e um alemão em pleno regime nazista: cenas para sempre.

Na decisão da medalha, o recorde olímpico foi quebrado cinco vezes e Long terminou em segundo lugar com impressionantes 7m87cm. Porém Owens foi o grande campeão com 8m05cm, para fúria de Hitler. Long foi o primeiro a abracá-lo e comemoraram juntos na volta olímpica.

A vida de Long foi curta… Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, entrou no Exército. Luz Long, medalhista olímpico, morreu em combate na Sicília no dia 14 de julho de 1943

Vale ressaltar outro fato: não é verdade que Hitler recusou-se a cumprimentar Owens. Ele havia optado por cumprimentar todos ou não cumprimentar nenhum, que foi a opção escolhida. Sobre isso o próprio Owens declarou: “Depois do pódio, passei perto do camarote aonde Hitler estava. Acenei para ele e ele devolveu o aceno. Acho que não era de bom tom não cumprimentar o “homem do momento” em um outro país…”

Owens e Long no podio em 1936

Owens e Long no podio em 1936

Curioso é que Owens, que foi recebido com um desfile em Nova York e uma recepção no lendário hotel Waldorf Astoria, teve que subir para a cobertura pelo elevador de carga (negros não eram permitidos no elevador social), e que um desconhecido jogou 10 mil dólares (163 mil hoje com correção inflacionária) pra dentro do carro dele em um saquinho de papel. Ele também lamenta que jamais foi cumprimentado pelo então presidente Franklin Delano Roosevelt, com medo de perder votos no Sul segregacionista.

Por seu ato de suprema desportividade, ajudando um rival que poderia (e de fato o fez) vencer na fase final, Luz Long recebeu postumamente a “Medalha Pierre de Coubertin” do Comitê Olímpico Internacional.

A mesma que o brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima recebeu em 2004 após o incidente na Maratona de Atenas.

Parabéns Long: seu exemplo superou um período de intolerância (na Alemanha e nos EUA) e ultrapassou as barreiras do tempo.

 

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