Iniciando a série “O Fantasma da B” vamos contar a história dos três anos que o Inter lutou para escapar do rebaixamento: 1990, 1999 e 2002. A primeira é talvez a mais obscura, pois pouca gente lembra bem, mas foi igualmente desesperadora. Talvez porque na época o Grêmio não tinha sido rebaixado ainda (seria no ano seguinte, aliás), o impacto não fosse tão grande. A história é do dia 18 de novembro de 1990… 

Em 1987 e 1988 o Inter foi vice-campeão brasileiro. Com um ótimo time, na época treinado por Abel Braga (técnico iniciante e sempre fumando na casamata), o Inter caiu de maneira dolorosa nas semifinais da Libertadores de 1989 em casa contra o Olímpia nos pênaltis. O então presidente José Asmuz disse que aquele time era de “perdedores” e mandou quase todo mundo embora. A última foi a venda de Taffarel para o Parma, da Itália, depois da Copa do Mundo. Óbvio que daria errado. 

O resultado foi um desastre: o Inter foi muito mal em 1989 (mas sem riscos). No ano seguinte, depois de um Gauchão pífio (3º lugar), iniciou o Brasileirão com um desempenho ridículo: 6 derrotas e 5 empates nos primeiros 11 jogos (e a fase inicial só tinha 19!!!). A sorte é que a vitória dava dois pontos na época, e ninguém disparou.

Inter: nenhuma vitória em 11 jogos

Inter: nenhuma vitória em 11 jogos

A primeira vitória ocorreu contra a Inter de Limeira por 2×1, seguido por um 2×0 no Goiás. Mais dois empates, duas derrotas e o Inter precisava ganhar os últimos dois jogos para escapar do rebaixamento.  A primeira vitória salvadora ocorreu no 1×0 contra a Portuguesa, com um gol bizarro do chileno Letelier (que era bom jogador) de cabeça fora da área:

Enquanto isso, a CBF fazia uma zona (que novidade) no tapetão e tirou 5 pontos do Vitória por escalação irregular de jogador na semana da última rodada, deixando o Vitória com 10 e rebaixado. Porém o time baiano ainda tinha recursos e nada tava definido. Então na rodada final, a Inter de Limeira já estava rebaixada com 10 pontos, mas Fluminense (13 pts), São José-SP (15 pts), Vitória (10 ou 15pts), Portuguesa (13 pts) e Internacional (13pts) chegaram com riscos de cair.

Para piorar, o Inter jogava no Pacaembu lotado contra o Corinthians, que tinha um bom time (e seria, aliás, campeão naquele ano). A vitória salvava o Inter no saldo de gols, e uma derrota praticamente era o desastre, pois dependeria de disputa no saldo de gols. O Inter entrou em campo em seu primeiro grande cagaço da história com: Maizena, Chiquinho, Márcio Santos, Zabala e Daniel; Simão, Luís Fernando, Alberto; Paulinho Criciúma e Hamílton. O técnico era Ênio Andrade. 

Em um jogo surreal, o Inter fez uma atuação espetacular e meteu 3×0. Gols de Paulinho Criciúma (hoje comentarista), Luiz Fernando e Júlio César, para uma atônita torcida corinthiana. Veja o compacto do jogo:

Isso foi crucial, pois a Portuguesa ganhou do Goiás por 2×0, o Flu bateu a rebaixada Inter de Limeira por 1×0 e o São José perdeu por 3×0 para o Flamengo. Se o Inter não tivesse ganho, adeus Série A.

Com ou sem tapetão, o Inter tinha escapado do rebaixamento.

ZH do dia seguinte.

ZH do dia seguinte.

Fim do sufoco, ao menos por nove anos…

Esta história contamos na quarta-feira…