Ainda sobre Mahicon Librelato… Vale lembrar o texto que escrevi no dia que ele morreu… Ainda mais porque eu indiquei ele em 2001 para o falecido conselheiro (e depois dirigente de futebol do Inter) Clesio Saraiva dos Santos:

—–Mensagem original—–
De: Alexandre Perin [mailto:[email protected]]
Enviada em: sexta-feira, 29 de novembro de 2002 08:14
Para: [email protected]; [email protected]; [email protected]; Malukices
Assunto: …

Ano passado soube que o gremio queria um centroavante do Criciúma, seu nome era esquisito. Mahicon Librelato.

Como o Cruzeiro também o quis, pensei: deve ter algo bom ae.

Passei a cuidar ele na Série B. Vi muitos jogos no PPV, alguns do Criciúma.
Mesmo sendo um time horrível, via que ele jogava boas partidas e sempre marcava um golzinho. No dia da última rodada, ele marcou o gol da salvação jogando com o ombro deslocado e salvou o Tigre da Série C.

Começaram os boatos de que o Inter e o gremio tentariam trazê-lo. O Cruzeiro desistira pelo passe alto. O Eduardo Jordão sempre dizia: POR FAVOR, CONTRATEM ELE, JOGA MUITO. E eu concordava com ele.

Depois de uma arrastada negociação, batido o martelo: 750 mil reais, mais o passe de Paulo César e André Gheller e mais os empréstimos de Juca e Thiago Belmonte até junho de 2003.

Librelato, ainda se recuperando do ombro deslocado, só entraria no time em abril. Seu primeiro jogo, perdemos por 2×1 para o Atlético-MG mas ele marcou o gol. Depois marcaria no jogo seguinte, também contra o Galo e na Copa do Brasil. Fez outro contra seu ex-time, o Criciúma.

Como o semestre acabou ali, o Inter foi jogar amistosos. Ele não fez gol em amistoso, então perdeu a vaga no time titular. Recuperou só na metade do brasileirão. Fez gols contra o Santos, Bahia, Portuguesa, Goiás, Atlético-PR… Mas o Inter seguia perto da zona de desespero.

Ao final do jogo contra o Cruzeiro, a imagem mais marcante era de Librelato, um catarinense que tinha se identificado com o Internacional, chorando copiosamente assim como milhares de torcedores nas arquibancadas e milhões pelo mundo afora.

Librelato em Belém

Librelato em Belém

Então, naquela tarde de 17 de novembro, ele começou a redenção colorada.
Marcou o primeiro gol da vitória sobre o Paysandu. O pesadelo terminava ali, e ele era um dos responsáveis pelo salvamento.

Ontem, em uma chuva torrencial na capital dos catarinenses, seu carro caiu no mar e ele morreu. Nunca tinha visto um jogador do Inter morrer. É uma sensação ruim. Ruim não, péssima.

Ainda mais quando era um jogador do clube, identificado, jovem, com um potencial imenso e que a torcida tinha grande carinho. Aí, pessoal, dói bem mais…

É, amigos…

Tem coisas que só acontecem com o Internacional. Às vezes chega a ficar difícil continuar acredito, mas eu continuo.

A fé colorada removeu montanhas ao longo da história, e um dia isto terá que ser premiado novamente,

Alexandre Perin
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Ciência da Computação
UFRGS-Brasil ICQ : 16295501
http://perin.malukices.com

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Minha homenagem final:

https://www.youtube.com/watch?v=a8cmg6AguHA