Encerrada a temporada do Campeonato Alemão, um número explodiu na cara de qualquer um que acompanhe futebol pelo mundo. O Borussia Dortmund, no já veterano Westfalenstadion, encerrou a temporada com absurdos 80.291 torcedores por jogo. De MÉDIA. Sim, amigos, isso mesmo. A  taxa de ocupação do vice-campeão alemão superou 99% da capacidade total do estádio.

Paredão amarelo no Westfalenstadion: 80 mil por jogo em Dortmund. De média!

Paredão amarelo no Westfalenstadion: 80 mil por jogo em Dortmund. De média!

Sobre estes dados, cabe uma reflexão. A média de público do Campeonato Brasileiro é menos do que a metade do Campeonato Alemão: 15 mil contra 43 mil. O menor público da última temporada, do caçula e rebaixado Eintracht Braunschweig, foi de 23 mil. Ou seja, a média do menor time na Alemanha foi superior a média brasileira de 15 dos 20 times da temporada passada, só abaixo do Cruzeiro, Flamengo, Corinthians e São Paulo.

Na temporada 2012/12 o melhor brasileiro foi o Corinthians, em 91º lugar em estudo da Pluri Consultoria. Léguas de distância inclusive de times dos EUA (Seattle Sounders) e México (Tigres). Sem contar que nos dados de 2012/12 achei equipes da segunda divisão alemã, como o St. Paulii. Preciso dizer mais?

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Melhores médias do mundo: nenhum brasileiro – Fonte: Pluri Consultoria

É verdade que muitos estádios estavam em obras e equipes jogando em locais improvisados nos últimos três anos. Mas agora, com os estádios prontos para o Mundial (ok, menos o Itaquerão e a Arena da Baixada), os públicos ridículos persistem. Neste domingo, uma rodada de quatro clássicos estaduais que, somados, deram 70 mil torcedores. E este fiasco englobando jogos do quilate e rivalidade de Flamengo x Fluminense, Atlético-MG x Cruzeiro, São Paulo x Corinthians e Bahia x Vitória.

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Ingressos caros = areas imensas vazias nos remodelados estádios brasileiros

O fato é que os preços estão completamente fora do padrão no Brasil. Preços de exceção estão sendo aplicados semana após semana e o bolso do brasileiro não tem condição de suportar por meses a fio, mesmo se o time estiver muito bem. Para não prejudicar sócios torcedores (igualmente com preços elevados), os preços praticados estão afastando torcedores ocasionais, turistas e, no fim das contas, os próprios associados, que deixam de levar parentes, amigos, filhos e acabam não indo. Isso reduz o consumo de produtos do clube, dos parceiros, exposição das marcas, em um círculo vicioso e prejudicial.

Alguns clubes estão conseguindo receitas médias ótimas em detrimento de estádios vazios (casos de Flamengo, Grêmio, Internacional, Cruzeiro). Outros praticam preços incondizentes com o espetáculo (muito baratos, como Fluminense e São Paulo). O meio-termo não tem sido o alvo final. Nossa média de público é menor que a da segunda divisão inglesa e alemã, e toma surra até da Major League Soccer, dos EUA, e a taxa de ocupação beira ao ridículo. É óbvio existe um problema sério.

Em 2013, um estudo sobre o sucesso do futebol alemão deixou claro que o modelo de preço e de ocupação dos estádios deles é bastante diferente. Priorizando a classe média, os preços são muito baratos na Alemanha. Para assistir um jogo do Campeonato Alemão, um torcedor do Borussia gasta 10 euros no setor mais barato, algo em torno de 30 reais. Isso é mais barato que o preço mais em conta do jogo Internacional x Atlético-PR no último sábado. E vale relembrar, apesar de óbvio, que o poder aquisitivo dos alemães é 2, 3x maior que o do brasileiro. Depois da Copa de 2006, com estádios novos, a Liga Alemã só cresceu e hoje tem a melhor média de público do mundo, batendo a outrora recordista Inglaterra.

O Brasil tem a chance de fazer algo semelhante com 12 novos estádios na Série A (contando a Arena do Grêmio e o Allianz Parque, do Palmeiras). Estes novos estádios atendem mais da metade dos clubes da Primeira Divisão, e outros como São Paulo e Coritiba também estão reformando suas casas.

Será que dirigentes vão deixar esta oportunidade de ouro de criar um novo conceito em nosso futebol?

Sim, estádios modernos. Com novos serviços, retorno financeiro bem maior.

Mas focados nas famílias. Na ocupação plena.

Na alma do futebol: o torcedor.

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