Com a existência dos pontos corridos, uma das coisas mais simples de se fazer é uma tabela racional, reduzindo deslocamentos e otimizando o calendário. Certo? Não é bem assim… As Federações Estaduais e a Confederação Brasileira de Futebol são pródigas em criar tabelas com bizarrices que acabam beneficiando um ou outro clube e, obviamente, prejudicando alguém.

No Estadual do RS, há quase dez anos ocorrem aberrações de times jogarem várias vezes seguidas em uma cidade, ou times se deslocarem muitas vezes enquanto outros são beneficiados por tabelas com jogos mais próximos de suas sedes. Nesta temporada, o Grêmio jogou 12 dos 15 jogos da primeira fase na Região Metropolitana de Porto Alegre, enquanto o Inter apenas 8. E o inverso ocorreu em outros anos, prejudicando o Tricolor. É bizarro.

No Campeonato Brasileiro cansamos de ver atrocidades como fazer o Sport jogar em Caxias do Sul, depois em Recife e novamente em Porto Alegre no intervalo de uma semana.

Com um software de gerenciamento de Rota de Menor Custo (Least Cost Routing), a solução seria tão simples que me espanta como até hoje os departamentos técnicos das federações e da CBF não utilizem as mesmas.

Rota de Menor Custo

Rota de Menor Custo

Para isso o Almanaque Esportivo tem algumas sugestões para reduzir esse problema. Vamos à elas?

1º) Sistema computadorizado que avalia as distâncias entre os locais sede dos jogos  e cadastrar distâncias entre as sedes dos clubes e as demais cidades.

Descrição: Indicar distâncias entre Porto Alegre (sede de Grêmio e Internacional) e São Paulo (sede de Corinthians, Santos, Palmeiras e São Paulo), por exemplo. Cadastrar isso em um sistema

2º) Jogar partidas de mandantes e visitantes (a num máximo de dois jogos) não necessariamente consecutivas para minimizar deslocamentos.

Descrição: Isso para evitar deslocamentos exagerados, como o caso da 7º até 9º rodada do Joinville na Série A 2015: joga em Recife contra o Sport, pega o Goiás em casa e depois o Atlético-MG fora. Se o mando de campo do jogo contra o Goiás (ou mesmo contra o Galo) fosse invertido, o deslocamento seria bem menor. No segundo turno, o inverso.

3º) Em caso de conflitos entre a 1º e a 2º regra, valer o menor custo.

 

4º) Em torneios com turno único, como o Gauchão, o sistema ainda trabalharia com a inversão do mando de campo ano após ano envolvendo times que estivessem novamente se enfrentando, possibilitando que todos os clubes visitassem todas as cidades. Neste caso, essa seria a 1º regra na criação da tabela.

É evidente que outras soluções como otimização do calendário, ampliando o tempo de duração do Campeonato Brasileiro, extinguindo jogos em Datas FIFA e sucessões enormes de jogos quarta-domingo-quarta também vão ajudar.

A redução da “milhagem” de cada time no Brasileirão seria tão grande, e a economia de custos em viagens aéreas seria na casa dos milhões de reais em uma só edição do Brasileirão. Países mais avançados como Inglaterra, Alemanha, Itália e Espanha usam há décadas ferramentas como estas para montar uma tabela.

Enquanto isso, a Federação Gaúcha de Futebol larga num software os times aleatoriamente e o sistema gera aberrações como fazer um time viajar muito mais que outro ou jogar cinco anos seguidos em Lajeado (Inter)

 

Imaginem  isso aplicado às Séries B, C, D e aos semifalidos estaduais?