Sobre o técnico Diego Aguirre, se criou uma polêmica ridícula (e, como tudo que ocorre no Rio Grande do Sul, exagerada pelo extremismo). Quem defende o Aguirre acusa quem faz críticas de ser um posicionamento político.E quem o critica acaba não reconhecendo coisas boas feitas por ele.

Aguirre é um gênio” vs. “Aguirre é um burro supremo“. A verdade? Ela está no meio do caminho…

Os dois trabalhos recentes no Internacional e no Atlético-MG mostraram as qualidades e defeitos de um treinador ainda em formação. O que é normal.

Não estamos falando de um treinador absoluto como Pep Guardiola, José Mourinho, Carlo Ancelotti. Nem de um extremamente talentoso como Jorge Sampaoli ou Jurgen Klopp.

Prezados leitores, Diego Aguirre não está nesse nível. É exagerada a “viuvice” assim como a “ojeriza“. 

Aguirre é um técnico que tem um grande conhecimento tático e conceitos modernos de jogo. Inclusive muito afeitos à “cultura” do Internacional, de marcação alta, velocidade e ofensividade. Seus times são vistosos, sua leitura de jogo antes e depois das partidas é excelente. Sua comunicação e educação são excelentes e é uma pessoa de fácil trato: todo mundo gosta de tê-lo por perto e ouvir suas palavras.

Diego Aguirre no Inter: foi demitido após 7 meses

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Porém também é um treinador teimoso, que insiste em aplicar mudanças táticas em jogadores que ainda não estão capazes de ter a mesma leitura que ele. E não é perfeito nisso: não se preparou bem para nenhum dos jogos contra o Tigres em 2015 e repetiu a dose contra o São Paulo de Edgard Bauza, um treinador experiente e que se adaptou ao elenco que possuía. O treinador uruguaio manteve o mesmo esquema nas duas partidas, quando deveria ter revisto o que não funcionou. Essa leitura valeu para 2015, se repetiu esse ano.

Os jogos contra o São Paulo colocando um volante e um lateral como meias abertos tendo opções melhores no proprio elenco para isso, ou ainda mudando a escalação para um elenco mais afeito são apenas a repetição do que fez com Lisandro López em 2015, quando colocou o argentino para fazer a função de Eduardo Sasha, que sofreu lesão. Era óbvio que não haveria o mesmo rendimento.

Diego Aguirre no Galo: saiu em 5 meses

Diego Aguirre no Galo: saiu em 5 meses

Aliás, lesões e problemas de condicionamento físico minaram seus trabalhos nos dois clubes. Galo e Inter oscilaram incrivelmente em um mesmo jogo, com ritmos espetaculares por 20 a 30 minutos e um marasmo impressionante em outros tantos.

O Inter teve 12 jogadores lesionados em junho/julho mesmo com um fortíssimo rodízio que poupava grande parte do time em todos os jogos. No Galo alguns jogadores já sofreram 2, 3 lesões musculares e várias lesões de joelho ocorreram.

Quando saiu em julho, jogadores como William, Valdivia e Dourado se arrastavam em campo. William e Dourado tiveram câimbras aos 15 do 2º tempo no 1º jogo contra o Argel, o 0x0 contra o Cruzeiro.

Se eu gostaria dele no meu time? Sem sombra de dúvida, mas com outra preparação física.

E quando ele se reciclar e aprender a se adaptar aos elencos existentes.

Sempre é bom variações táticas e técnicas.

Nem sempre com jogadores diferentes.

Boa sorte ao Aguirre nos próximos desafios.