por Marianna Poeta (@mariannapoeta)

A cada nova Olimpíada, a esperança por uma medalha de ouro para o futebol é ainda maior. Há cobrança, pois se passam os anos e a modalidade tanto no feminino, quanto no masculino, não corresponde às expectativas do povo brasileiro.

Olhando com cuidado para o futebol feminino, vemos uma grande diferença para o masculino, desde orçamento, investimento, apoio, até o esquema de jogo. Para alguns pode parecer um futebol “feio”, desorganizado. Quem apresenta um bom futebol há vários anos e é bem próximo do que estamos acostumados são os Estados Unidos. E, por isso, sua eliminação para a Suécia nas quartas de final da Olimpíada do Rio foi uma grande surpresa.

Marta é consolada após a derrota nos pênaltis para a Suécia

Marta é consolada após a derrota nos pênaltis para a Suécia

Não tão longe desse “futebol modelo” dos Estados Unidos vem o Brasil. Pode parecer brincadeira, pois também fomos eliminados pela Suécia, depois de jogos pavorosos nas oitavas e quartas de final, contra Austrália e a própria Suécia, no tempo regular. É claro que o nosso futebol está “atrasado” em relação aos EUA, mas isso ocorre por fatores extra campo citados anteriormente. Acontece que, principalmente, na America do Sul somos referência.

Verdade seja dita, temos ótimas jogadoras, como a Marta, cinco vezes a melhor do mundo, Cristiane, a maior artilheira da história das Olimpíadas no futebol feminino e Formiga, volante cirúrgica de 38 anos, que veste a camisa do Brasil há 21 e se aposenta da seleção em dezembro desse ano.

Falando de títulos, a seleção brasileira feminina leva em sua história três medalhas de ouro e uma de prata em Pan-Americanos (ouro em Santo Domingo 2003, Rio 2007 e Toronto 2015; prata em Guadalajara 2011); Duas medalhas de prata em Olimpíadas (Atenas 2004 e Beijing 2008); Seis títulos da Copa América (1991, 1995, 1998, 2003, 2010 e 2014), dentre outros.

Como podemos ver, não é de hoje que o Brasil tem resultados significativos e importantes nas competições que participa. Desde 2003 o futebol da seleção feminina vem em uma crescente, evoluindo a cada novo desafio, buscando jogadoras em um país onde o investimento de clubes em futebol feminino é quase nulo.

Portanto, afirmo sem dúvida nenhuma, que desde 2003 temos a melhor geração do futebol feminino brasileiro. O que podemos acompanhar nas competições citadas anteriormente e na Rio 2016 é um privilégio.
Não se pode crucificar as meninas do Brasil por esse resultado ruim na semifinal da Olimpíada. Há de se crucificar outros fatores.

Fico feliz que, em 2016, o povo brasileiro tenha acordado para o futebol feminino, lotando os estádios e apoiando as jogadoras. Como a Formiga disse após a derrota para a Suécia nos pênaltis, pela semifinal da Olimpíada, a medalha de bronze pode “coroar” o trabalho dessa seleção que caiu nas graças do povo.

Ainda disse que apenas dedicação das jogadoras não ganha medalha, é preciso suporte.

Essa seleção merecia a medalha de ouro na Rio 2016. Seria a “coroação” ideal para essa geração que vem sendo trabalhada desde 2003.

Infelizmente, futebol não é merecimento.

Bárbara comemora vitória sobre a Austrália nas quartas-de-final

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Então, vamos à luta por esse bronze.