Sobre o jogo de sábado, uma análise fria e tranquila após dois dias: nos últimos anos se expandiu o abismo técnico entre os times europeus e o resto do mundo. Além da já existente diferença financeira, existe hoje uma exponencial distância tática e técnica.

O São Paulo campeão em cima do Milan de 93 tinha, no mano a mano, algo como 7×4 nos jogadores. Taticamente e em preparação física eram iguais. Porém a diferença entre eles era menor que o Inter de 2006, que por sua vez é menor que a distância do Grêmio pro Real Madrid. E nem cabe uma comparação entre os times brasileiros. A questão são os europeus.

Já falava desde muito antes da final da Libertadores: A diferença é abissal. Por isso o Mundial é desinteressante para eles: Há pouca competitividade. Exagero? Vejam esse vídeo de 34s, 28 toques e 14 passes do Barcelona e o pobre Deportivo tentando marcar pressão:

O Real Madrid jogou em ritmo de treino contra o Grêmio. Pouca concentração. Justamente por isso poderia perder, como perdeu pro Girona fora e pro Bétis em casa.

Ah, o Grêmio é muito maior e melhor que esses timecos? Sim, óbvio. Com Arthur ia propor mais, criar mais? Tenho quase certeza que sim. Se o Luan tivesse inspirado, teria mais riscos à zaga merengue? Provavelmente sim.

Mas se o Real Madrid percebesse um adversário mais forte e o jogo mais perigoso, Toni Kroos mais concentrado definiria melhor os quatro chutes displicentes de sábado. Possivelmente, o Zidane teria tirado o Benzema muito antes. Teria colocado Gareth Bale e Marco Asensio e o Marcelo não teria jogado 70% do tempo no meio-campo ofensivo, sendo mais responsável em seu setor.

E faltou sim personalidade ao Tricolor. Times fracos como o Kashima Antlers, Raja Casablanca e Mazembe chutaram bem mais, assim como equipes visivelmente inferiores como o San Lorenzo tiveram mais iniciativa e conclusões que o Grêmio. Basta ir no site da FIFA pesquisar os stats do jogo. Melhor, basta ver os melhores momentos da partida. O Mazembe por exemplo, chutou mais que a Inter. Ano passado o Kashima teve onze conclusões e fez dois gols.

Dos três brasileiros campeões do Mundial da FIFA tiveram poucas chances, ao contrário do Inter. Dados do Esporte Interativo:

Stats dos Brasileiros contra Europeus nos Mundiais da FIFA

Mas não se enganem. O Inter em 2015 teria tomado a mesma lavada do Barcelona, como aliás o River Plate tomou. E como todos os sul-americanos levaram nos últimos anos. O único triunfo, do Corinthians em 2012, é mais exceção do que regra. O próprio Chelsea foi a zebra na final da Liga dos Campeões.

A oportunidade do Inter em 2006, aproveitada, será bem difícil de se repetir.